A ‘motivação’: aliviar pro homicida

por Sulamita Esteliam

A aposta no caos e o estímulo à violência continuam rendendo frutos de morte país afora.  Depois do assassinato do petista em meio à sua festa de aniversário, porque ele usou seu partido e Lula como tema, um PM matou a família inteira, mais alguns vizinhos e depois se suicidou.

A troco do de sempre: descompensação emocional ou impulso irresistível. O diabo é que essa gente surta, mas nunca começa a atirar em si próprio, o que livraria muita gente da morte gratuita. O infeliz não poupou sequer as crianças que ele contribuiu para pôr no mundo.

Na quinta-feira, ainda, mais um indígena foi assassinado numa emboscada armada por jagunços e policiais: no processo de retomada de  território ancestral Guapoy Kaiowá-Guarani, em Amambai, Mato Grosso do Sul.

A exemplo do que aconteceu em 24 de junho, quando os indígenas foram surpreendidos por ataque armado da PM, que resultou em dois mortos, 15 feridos e três desaparecidos. Há dois indígenas desaparecidos e um foi preso acusado de ter matado o colega Márcio Moreira – linco ao pé da postagem.

E ninguém faz nada.

Assassinato Kawoá-Guarani -Apib

Por seu turno, o negacionismo e a conveniência continuam fazendo vítimas também nas investigações apressadas, onde o óbvio e ululante é desconsiderado, na maior chalaça; não consegue alcançar a motivação de quem investiga.

A delegada da Polícia Civil do Paraná  convoca coletiva de imprensa para dizer que concluiu o inquérito do assassinato de Marcelo Arruda, tesoureiro do PT em Foz do Iguaçu, e “não há motivação política” para o crime.

Não, é terrorismo mesmo.

É como define, com propriedade, Liana Cirne Lins, vereadora do Recife (PT), e que é professora de Direito Constitucional. Ela protocolou notícia-crime junto ao STF, que acatou : a ministra Rosa Weber encaminhou à PGR o pedido para investigar o motivador-mor “por incitação ao crime de terrorismo”.

Resta saber, por outro lado, se a moça-delegada Camila Cecconello sabe o que sigfnica “motivação”. Se ela se formou em direito na mesma escola que aprovou o ex-juiz Sérgio Moro, é o caso de duvidar…

Os advogados da família do morto contestaram, veementemente. Não apenas: faltou combinar, também, com a Suprema Corte Eleitoral.

Nesta sexta, o ministro Alexandre de Moraes, que é vice do TSE – e será o presidente em outubro, mês das eleições -, acatou o pedido de sete partidos (PT, PCdoB, PSol, PSB, PV Rede e Cidadania) e intimou o Coisa-ruim em investigação sobre incitação à violência.

O ser que ocupa a cadeira presidencial do Brasil tem dois dias para se manifestar.  Alguém, afinal, tem que se mexer para barrar essa selvageria.

O lastro da ação – claro, só a delegada não consegue ver – é o assassinato de Marcelo Arruda no sábado 9, enquanto celebrava seus 50 anos.  O assassino, um guarda prisional federal, primeiro ameaçou, depois voltou para concluir seu intento, aos gritos de apoio ao inominável e contra Lula e os petistas.

O estrago só não foi maior porque, Marcelo, que tinha 25 anos de guarda municipal, depois das ameaças resolveu se precaver, armando-se. Quando o sujeito retornou, mesmo baleado, ele conseguiu abater o atirador, que não morreu; está hospitalizado, detido em flagrante.

Curiosamente, a delegada Cecconello, que chefia a Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa de Foz do Iguaçu, anunciou que vai indiciar Jorge Garanhos, o assassino, por “homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe e por colocar em risco a vida de terceiros”.

A diferença é que o enquadramento em crime de ódio ou crime político transfere a competência da investigação e do processo para a área federal. Crimes que ferem a Constituição são competência do Supremo Tribunal Federal.

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Fontes requisitadas

Brasil de Fato

Carta Capital

Revista Fórum

PT.org

Leia Já

Portal STF

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Postagem revista e editada em 18.07.2022, às 13h20: correção de erros de digitação e frases desconexas.

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