Áudio ao pé da postagem
por Sulamita Esteliam
O rascunho do que seria uma crônica foi salvo antes do aniversário de da Lei Maria da Penha, de 7 de agosto, com o título, apenas. Não tive estômago para escrever.
Sua atualidade, todavia, só reflete o tamanho do problema que o Brasil enfrenta, apesar do endurecimento da lei, há 30 anos.
E dele não escapa nem a inspiradora da lei: Maria da Penha ,que está sob medida protetiva, porque seu algoz-ex-companheiro a atacou novamente.
O crime escancara o quão machista e misógina é a nossa sociedade. Não se trata de relações de afeto, mas da naturalização de o homem exercer a posse, o poder sobre a muilher.
E aí a conta cai na educação de meninos e meninas, que reproduz esse modelo perverso das relações humanas, onde impera o patriarcado. Há quem não goste da palavra, mas o dicionário da língua pátria não nos dá melhor definição.

Faço esse alerta no meu livro Em nome da filha, lançado em 2019: conta uma história de relacionamento abusivo, feminicídio e luta por justiça em Pernambuco. Um verdadeiro terror.
E pergunto:
Que amor é esse que machuca, tortura, aterroriza, subjuga e mata?
A respeito, a ministra Carmén Lúcia, do STF se manfestou de forma inequivocamente clara :
A fala de Carmén se insere na decisão da Suprema Corte de que a Lei nº 11.340/2006, e antes tarde, atinge qualquer tipo de violência contra a mulher de qualquer tipo – física, sexual, moral, patrimonial – pelo fato de ser mulher.
Não precisa haver relação, ainda que supostamente, afetiva. Pode ser o companheiro ou ex, ou o homem mais próximo – vizinho, taxista, motorista de aplicativo, colega de trabalho ou um maluco qualquer com problema de rejeição.
É um baita de um avanço.
Diga-se: que pode ser consolidado pelo Congresso Nacional com a aprovação do Projeto de Lei 896/2023, Aliás, o Senado já aprovou, falta a Câmara dos Deputados. Daí que a mulherada tem que ficar atenta e focada para cobrar seu voto.
Não falta lei, é preciso deixar claro. O vácuo estás pessoas que devem aplicá-la. A peste misógina é cultural, e acaba se refletindo na prática institucional.
Em miúdos: as definições legais se perdem em si mesmas, se o Estado não dota as Delegacias de Mulheres, e seus funcionários, de estrutura e treinamento para acolher as vítimas do crime.
Não falta exemplo. É buscar a memória do governo Dilma Rousseff. Sua gestão criou a Casa da Mulher Brasileira, parte estrutural do Programa Viver Mulher sem Violência. Conseguiu implantar 10, antes de ser golpeada.
Foca em acolhimento, proteção e orientação piscilógica. humana e de direitos, à mulher agredida e funciona 24 horas – aqui no blogue , com acesso a outras postagens sobre o tema, sempre revisitado por aqui.
Há apenas 13 unidades em todo o Brasil, o que, convenhamos, é muito pouco.
Em Pernambuco, há três unidades em construção: Recife, Caruaru e Petrolina. Parceria do Ministério das Mulheres com o Governo do Estado.
Em Belo Horizonte, Minas Gerais, onde brotei, a previsão é de que seja inaugurada ainda neste semestre; a primeira e única fica no Bairro União e fica sob gestão da prefeitura. E o Estadp nem se toca.
De volta a Pernambuco, na terça-feira, 25, aconteceu a 5ª Vigília pelo fim do Feminicídio, Repete-se toda última terça-feira do mês . Cem cruzes e 100 velas foram colocadas no solo da praça ao lado da Delegacia de Mulheres em homenagem às vítimas.
Os movimentos de mulheres, mais a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal, liderada pela veredadora Cida Pedrosa (PC do B), candidata a deputada estadual, com meu voto, articulam.
Aqui no estado, o número de vítimas em 2025 foi de 88 mulheres, dados do Anuário de Segurança Pública. Nos dois primeiros meses deste ano, 18 mulheres foram mortas em Pernambuco, de acordo com dados oficiais dos orgãos de segurança do estado.
Nos últimos quatro anos, o feminicídio atingiu mais de três centenas de mulheres.
Quando o capítulo é violência doméstica os números avultam, porém: 36 mil casos de janeiro a julho de 2026. A média diária é de 137 mulheres agredidas.
Não são estatísticas pura e simples: são vidas que se esvaíram no caldo da violência misógina. E é preciso cobrar providências e dizer basta: Parem de nos matar!
Foto Agência Brasil/Maroo Zero Conteúdo
*******
Clique para obter mais informações: