Em ritmo de Carnaval

por Sulamita Esteliam
Naná Vasconcelos rege os batuqueiros e convidados: Marisa Monte, no abre-alas de 2010 - Fotos: Prefeitura do Recife

Estou em ritmo de Carnaval a partir de hoje: passei o dia refazendo fantasias para o sábado em Olinda – no Recife tem o Galo da Madrugada, mas para mim já é impraticável. Amanhã é abertura oficial do Carnaval no Recife: Naná Vasconcelos e 400 batuqueiros de diferentes nações de maracatu fazem a festa logo no início da noite, no Marco Zero, Recife Antigo.

Adoro reciclar; hoje se diz customizar… Interrompi para o almoço, depois para o banho e, agora, rapidinho, para atualizar o blogue.  A programação completa do Recife e Olinda até sábado você vê aqui. Aqui, tudo sobre o Carnaval Multiculturaltoda a grade nos 16 polos de animação na capital, oito dos quais na região central. E aqui, a programação oficial da folia em Olinda.

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Registro que este ano o Governo do Estado e a Prefeitura do Recife conseguiram deixar insatisfeita boa parcela de artistas tradicionais da terra. Excluídos da programação, acusam os poderes políticos de descaracterizarem a festa. Organizam protesto para a terça-feira, na Praça do Arsenal. Dou mais detalhes assim que confirmar.

Tenho amigos entre quem está insatisfeito, e eles hão de perdoar-me. Com ou sem polêmica, adoro a diversidade. Mesmo com o risco de ser chamada de “estrangeira” – de fato sou mineiribucana ou pernambeira – para mim, o Carnaval daqui é ma-ra-vi-lho-so!

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Brinque em paz, com muita alegria e os cuidados regulamentares: deixe o carro em casa se gosta de beber, use ou exija camisinha quando fizer sexo; e guarde o machismo e a agressividade no baú, a sete chaves. De preferência, enterre-os nas cinzas da quarta-feira.

Carnaval é povo na rua, é festa. Que seja regada a frevo, samba, maracatu, ciranda, bartucada, caboclinho, tambor de crioula, axé, viola, bumba-meu boi, rock, hip hop, funk … Cada um na sua, e eu em todas, porque aqui, o Reinado de Momo e sua Rainha é Multicultural.

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E agora, fiquem com Capiba, na voz de André Rios, um dos ícones da nova geração do frevo em terras pernambucanas:

De Chapéu-de-sol Aberto

Capiba

De chapéu de sol aberto

Pelas ruas eu vou
A multidão me acompanha, eu vou
Eu vou e venho pra onde não sei
Só sei que carrego alegria
Pra dar e vender
(deixa o barco correr)
Espero um ano inteiro
Até ver chegar fevereiro
Pra ouvir o clarim clarinar
E a alegria chegar
Essa alegria que em mim
Parece que não terá fim
Mas, se um dia o frevo acabar
Juro que eu vou chorar.

Um comentário

  1. MORREU AOS 98 ANOS A COMUNISTA LUCILIA ROSA.
    “VOU DE ALMA LAVADA. ESTOU FELIZ!”

    A “comunista convicta” – como sempre fazia questão de reafirmar – Lucilia Soares Rosa, 98 anos, morreu de causa natural. O velório está ocorrendo na Funerária Irmãos Pagliaro, na av. Dr. Fidélis Reis, e o enterro será às 12h, no Cemitério Medalha Milagrosa, na Univerdecidade. Lucilia deixa dois filhos dentistas: Calixto Rosa Neto, que foi vereador pelo PSD em Campo Florido (MG), de 1963 a 1964, e depois em Uberaba, de 1983 a 1988, pelo PMDB, e Moizés Soares Rosa, diretor a cooperativa Uniodonto, além 13 netos, oito bisnetos e uma trineta.

    Ela será homenageada pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, no final deste mês, juntamente com nove mulheres, entre elas Clara Charf, ex-mulher do deputado baiano constituinte de 1946 e guerrilheiro, Carlos Marighela.

    Lucilia Rosa, aos 35 anos, foi uma das 17 primeiras vereadoras eleitas em Minas. Ela era de Uberaba, mas morava em Campo Florido, a 70km, onde conquistou, em 1947, uma cadeira da Câmara Municipal. Foi escolhida pelo PSD, porém era militante do PCB (Partido Comunista do Brasil) desde os 18 anos, quando filiou-se e foi batizada como “Lucrécia”, seu “nome de guerra”.

    Ousou e enfrentou preconceitos ao ligar as trompas, em 1939, depois de ter dois filhos. Essa operação somente realizava-se na Europa. Foi presa duas vezes. Em 1949, ao cuspir no rosto do delegado, em Campo Florido. Ficou detida por 13 dias ao participar de manifestação contra o envio de jovens brasileiros para a Guerra na Coreia. Foi em 1951, em Uberlândia. Morou, em São Paulo, durante 15 anos, de 1958 a 1972, quando trabalhou como doméstica, entre outras patroas, para a deputada federal Ivete Vargas (PTB), sobrinha do presidente Getúlio Vargas, que conseguiu-lhe emprego na Caixa Econômica e nos Correios. Rejeitou e manteve-se na profissão que possibilitou-lhe as formaturas, em odontologia, dos dois filhos.

    Ela chegou aos 98 anos, em agosto de 2010, e tinha memória extraordinária. Deixou um acervo rico de documentos, entre eles, correspondências que manteve com Luiz Carlos Prestes, secretário-geral do PCB entre os anos de 1930 e 1980, e com Anita Leocádia, filha dele com Olga Benário, morta em campo de concentração nazista, na Alemanha. Lucilia mantinha contato permanente com ela há mais de 30 anos. Moraram juntas durante dois anos e meio, entre 70 e 72, clandestinamente, durante os mais sangrentos da ditadura militar, em São Paulo. Passava-se por tia de “Alice Nascimento”, codinome de Anita. Residiu também, durante três meses, em 1962, com a família de Prestes, a quem ajudava a cuidar de seis dos sete filhos.

    Sua vida vai ser registrada em livro: Lucilia – Rosa Vermelha. O projeto de pesquisa sobre sua história surgiu durante visita do presidente da Câmara de vereadores de Uberaba, Lourival dos Santos (PC do B), a ela. Estava, em 2006, com a saúde debilitada após 25 dias em coma. Ao ser indagada sobre seu sonho, disse que gostaria de ter sua trajetória publicada em livro. A partir daí a diretora de Comunicação do Legislativo, Evacira de Coraspe, coordena o trabalho desenvolvido pela historiadora Luciana Maluf Vilela e pelo jornalista Luiz Alberto Molinar. A obra, que será lançada brevemente, vai revelar a personalidade, os caminhos de Lucilia, de libertários, anarquistas, socialistas. Enfim, a origem dos movimentos populares e de seus protagonistas em Uberaba e região, desde o final do século 19 até 2000.

    “O Capital” e a “Bíblia”

    Lucilia era filha de anarquista. Não foi batizada na igreja. Nunca pintou as unhas e nem se maquiou. Namorou muitos. Dois primos a pediram em casamento. Foi costureira de vestido de noiva. Casou por contrato com homem casado. Foi professora, faxineira, doméstica e cozinheira de ‘mão cheia’. Ateia desde criancinha. Espiritualista aos 90 anos: “Há algo mais. Eu não acredito em Deus, mas alguns amigos acreditam e eu acredito neles”.

    “O Capital” – principal livro sobre as ideias socialistas – foi sua cartilha durante décadas, mas agora gosta que leiam a “Bíblia” para ela. Dedicou toda sua vida à causa revolucionária. Lutou por uma sociedade justa para todos. Lucilia significava solidariedade, sinceridade. Disciplinadora, porém doce, amável, às vezes, até angelical. Gostava muito de conversar. De contar causos seus e dos outros. Todos sem censura.

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