#OcupeEstelita, movimento que se reinventa e persiste

por Sulamita Esteliam
Imagem capturada em www.ocupeestelita.com.br
Imagem capturada em http://www.ocupeestelita.com.br

Ainda na operação resgate, a sequência me remete ao Movimento #OcupeEstelita. A notícia da semana é o Manifesto de Apoio, assinado até agora por 120 entidades e movimentos sociais dos quatro cantos do Brasil.

O A Tal Mineira não se enquadra na perspectiva, mas também apoia o movimento, desde o início, em 2012.

Prova de que o Estelita, na definição do coletivo, “é muito mais do que 10 hectares na Ilha de Antônio Vaz, onde se situa o Cais. É um símbolo de luta. Luta por uma cidade mais democrática, por maior participação popular na esfera pública, por melhor qualidade de vida em nossos centros urbanos”.

O movimento, desde meados de julho, com o aprofundamento do inverno – que no Nordeste é temporada de chuva – se retirou de sob o Viaduto Capitão Tenudo, na confluência que dá acesso ao Cais José Estelita. O local foi ocupado após o espetáculo de bárbarie protagonizada pela PM, a mando do poder público estadual, em junho – aquiaquiaqui, aqui  e aqui neste blogue.

10498522_350737118406608_3942605085109740011_oAtualmente, ganha a cidade, provendo  o debate sobre o Recife que se quer, um Recife melhor para toda sua gente, que respeite o direito de cidadania a participar das escolhas. E se espelha pelo país: a ocupação chega ao Rio de Janeiro, neste domingo, 03 de agosto, com exibição de vídeos e shows no MAM.

O que o #OcupeEstelita quer, é o cancelamento do projeto, desde o protocolo na prefeitura. E, claro, a abertura do debate para se definir o vai ocupar a área do Cais José Estelita, no que tem o apoio do Ministério Público. Pra valer.

Na página do movimento no Facebook tem uma sequência esquemática interessante. Mostra como o Consórcio Novo Recife, se valeu da transição entre o Plano Diretor de 1996, e o plano revisado, de 2008 para protocolar o projeto, quando ainda sequer havia comprado o terreno.

Desde então, três gestões municipais – duas das quais do PT e uma do PSB – e duas estadual, do PSB. Uma sequência de erros e/ou omissões e/ou conivências, e conveniências, dos executivos municipal, estadual e do Judiciário.

900_900x600_242722972_500x333À revelia do Ministério Público, que conseguiu o embargo da obra junto ao IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Deu-se a consolidação das ilegalidades, mesmo com o Movimento #OcupeEstelita no contrapé.

Tudo isso foi objeto de discussão na audiência pública convocada pela Prefeitura do Recife, dia 17 de julho último, que este blogue anunciou, mas não pode cobrir.

Lá, segundo relatos na rede, a maioria era parte do Movimento#Ocupe Estelita, mas não só. Havia gente a favor, que assumiu o microfone para fazer a defesa, sem muito sucesso, conta o jornalista Ivan Moraes Filho, em seu Bodega. Coincidentemente ou não, gente de comunidades tradicionais na mobilização popular, como o Coque.

É claro que as construtoras donas do projeto não iam ficar paradas, assistindo de camarote o movimento crescer e se espalhar por Pernambuco, pelo Brasil e até pelo exterior. A despeito do poder de barganha direto com o poder público.

O Consórcio Novo Recife tem investido pesado em publicidade, desde maio, quando se deu a ocupação, e invadiu as redes sociais, com propaganda, e gente, visivelmente, encarregada de fazer o contraponto. Ou não é isso o Ocupe-se!?

Dinheiro é o que não falta, e dinheiro chama apoio e desapoios. Sim, vamos conceder, pode ser convicção também.

Canal de sugestõesTudo isso influenciou a prefeitura a criar um canal para ouvir sugestões dos recifenses para mudar o projeto, claro que com prazo curto; terminou dia 31. Têm pressa.

A sugestão do movimento, trabalhada nas redes sociais, é que se cobrasse respeito aos trâmites legais, principalmente que a decisão passe pelo Conselho da Cidade (Lei Municipal 18.013/2013), o que até agora não foi feito.

10574287_350767288403591_3152016264726497633_nÉ a primeira vez, desde 2012, quando se inicio o Movimento #OcupeEstelita, que o poder municipal abre um canal de diálogo com a população. Dia 17 deste mês, tem nova audiência pública, quando, acredita-se, serão apresentados os resultados da consulta. Na mesmo local e hora do evento do mês passado: auditório da Fafire, de 14:00 às 17:00 horas.

A conferir se resulta em algo mais que encenação em ano eleitoral.

O Movimento é cético:

“Não consideramos que o procedimento proposto pela Prefeitura do Recife satisfaz as nossas demandas por um processo conduzido por instâncias legítimas de participação, como o Conselho da Cidade, e com garantias de que haja uma revisão do projeto em sua essência. Mas, ainda assim, esta audiência será mais um momento importante de mobilização para externarmos nossas objeções a esse projeto e à forma como ele representa a construção de uma cidade para poucos”, explicita a convocação no FB.

Agrego pós-escrito, assim como a imagem acima, à esquerda.

Mesmo condenada por litigância de má fé, a construtora terminou a obra, e alegou "fato consumado" para não cumprir a ordem judicial de derrubá-la - Foto captirada em leieordem.blogspot
Mesmo condenada por litigância de má fé, a construtora terminou a obra, e alegou “fato consumado” para não cumprir a ordem judicial de derrubá-la – Foto captirada em leieordem.blogspot

O processo de destruição gratadativa da memória afetiva do Recife não vem de agora. Está por toda a cidade. Nesse aspecto, as duas torres do Cais de Santa Rita, uma aberração urbanística que se tornou fato consumado, embora totalmente ilegal a anuviar a paisagem e o patrimônio histórico, deveriam ser alerta suficiente.

Mas, é como diz o colega escritor e jornalista, Raimundo Carrero, é parte do “cinismo das tradições pernambucanas”.  Claro que não se restringe a essas plagas, mas é esse “cinismo” que permeia seu romance Maçã do Agreste, reeditado agora pela Cesárea Editora, ambientado na capital.

A partir do FB/Ocupe Estelita, cheguei a dois vídeos em que o autor descreve a obra, e alude aos terrenos do Estelita:

 

  • Maçã do Agreste

 

 

  • Maçã do Agreste II

 


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