Ocupe Estelita celebra retomada do Cais José Estelita

A retomada teve a cumplicidade da lua - foto: FB/Ocupe Esteçota
A retomada teve a cumplicidade da lua – foto: FB/Ocupe Esteçota
por Sulamita Esteliam

Bom começar a semana de trabalho com notícia boa. Na quarta, 02 de dezembro, o movimento Ocupe Estelita realiza assembleia no coreto da Praça do Derby, às 19:00 horas. É quando se vai discutir e decidir a retomada da ocupação do terreno da União no Cais José Estelita, que foi propriedade da Rede Ferroviária Federal, vendido irregularmente para o Consórcio Novo Recife.

Domingo último foi dia de celebrar a vitória das forças populares, da desobediência civil, no caso, incorporada pelo movimento Ocupe Estelita de repercussão internacional. Centenas de pessoas voltaram ao Cais José Estelita para reocupar, simbolicamente, o local, de onde foram desalojadas, brutalmente, ano passado, em nome da especulação imobiliária. Desta vez, a reocupação teve respaldo jurídico, do ponto de vista simbólico.

É que a Justiça Federal anulou o leilão de venda do terreno ao Consórcio Novo Recife,que ali pretende construir 12 torres, “incompatíveis” com a paisagem arquitetônica histórica do local e entorno. E absolutamente à revelia da lei e da vontade do povo, que quer o lugar para chamar de seu, e há anos briga pelo direito à cidade e à qualidade de vida. O A Tal Mineira acompanha os desdobramentos desta história, que começou em 2012:  aqui, aqui e aqui, por exemplo.

Ainda cabe recurso e as circunstâncias recomendam cautela. Contudo, a comemoração se justifica, porque confirma que resistir é preciso, possível e vale à pena, quando a alma – inclusive de quem decide – não é pequena.

A decisão é do juiz Roberto Nogueira, da 1ª Vara da Justiça Federal. Veja os detalhes aqui e também na reportagem da TV Brasil, que compartilho:

 

 

Na página do movimento Ocupe Estelita no FB um texto dá a dimensão do significado desta vitória, que acaba levando também ao exagero da bravata – desnecessária, mas compreensível. Transcrevo:

 

O REENCONTRO ERA INEVITÁVEL

No último dia 28 de novembro, a Justiça Federal proferiu sentença contra o Projeto Novo Recife e a Prefeitura do Recife obrigando o Consórcio a devolver o terreno do Cais José Estelita à União. Mais uma vez, junto à investigação da Polícia Federal, a institucionalidade reitera o que a mobilização popular e o poder das ruas tem gritado há muito tempo: a ilegalidade e imoralidade do Projeto Novo Recife.

Mas é a partir do povo unido que a Justiça por vezes acompanha sua voz. No ímpeto de comemorar as últimas novidades, cerca de mil e quinhentas pessoas se reuniram, ontem, em frente ao Cais. À noite, espontaneamente, dezenas de pessoas abriram parte do portão que impedia o acesso ao Cais José Estelita. Junto a elas, cerca de 200 pessoas entraram no mesmo terreno – algumas pela primeira vez – onde ocupamos em maio de 2014.

As placas de ferro que colocaram no dia 17 de junho de 2014, dia da reintegração de posse, foram derrubadas ontem numa ação direta de devolução do Cais às pessoas da cidade. O terreno que demos vida durante a ocupação estava mais uma vez abandonado, como quem comprova que uma cidade só é viva se permite o encontro entre as pessoas. O momento foi simbólico, de falas coletivas e acumulo de fôlego para uma retomada que em breve será definitiva. Estávamos juntas mais uma vez e agora mais fortes.

A força que tem ações como essa, de ocupações que acontecem de forma popular e desobediente, é símbolo de luta de uma série de movimentos populares há muitos anos e que lutam pela mesma lógica de cidade que o MOE: a de colocar as necessidades básicas das pessoas acima dos interesses econômicos dos empresários multimilionários. Todas as comunidades que são símbolos dessa resistência – a exemplo do Coque e de Brasília Teimosa, logo ao lado do Cais – foram lembradas ontem.

No meio disso, é importante reiterar que, como de costume, houve intimidação policial em articulação com a segurança contratada pelo Consórcio Novo Recife. Eles, mais de uma vez, ameaçaram soltar cachorros treinados nos manifestantes. Mas não recuaremos. Essa quarta-feira (2), nos encontramos em ASSEMBLEIA no coreto da Praça do Derby, às 19h, para discussão de cenário e encaminhamento de propostas para o MOE.

Avisamos: este foi apenas o início de um grande processo de retomada. Voltaremos a nos encontrar no Cais. Sigamos ocupando a cidade. Um salve à mobilização popular. O Cais será do povo na lei ou na marra.

decisao JF_1


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