No ‘Dia de Minas’, a lembrança do golpe

Câmara Municipal de Mariana, antiga cadeia pública - Foto: Sérgio Freitas/Senac
Câmara Municipal de Mariana, antiga cadeia pública – Foto: Sérgio Freitas/Senac

por Sulamita Esteliam

Hoje, 16 de julho, Mariana, a primeira capital de Minas, faz 318 anos. É dia de Minas Gerais (no Recife se comemora a padroeira, Nossa Senhora do Carmo).

Sim, há um dia para celebrar Minas Gerais, a terra que é, e se considera, a síntese do Brasil. Assim nominava as Alterosas o velho Trancredo Neves. Aquele que, sem nunca ter sido, foi o primeiro presidente civil do país, após 21 anos de ditadura.

Beagá e a Serra do Curral - Se
Beagá e a Serra do Curral – Se

O totalitarismo que nasceu do golpe civil-militar de 1964, brotou nas montanhas mineiras. Bem aqui, sob a complascência da Serra do Curral, o horizonte que guarda a Beagá, capital ironicamente destronada como sede do governo da Liberdade; exata e tristemente pelo neto daquele que se arvorou intérprete das Gerais pós-inconfidentes.

A síndrome da viúva Porcina tomou conta do 1º neto, cria que se locupleta do nome do avô, pouco se importando quantas voltas este revira no túmulo, cada vez que abre a boca. Quanto mais após a derrota eleitoral nas últimas eleições presidenciais.

Perdedor ressentido e sem escrúpulos, arauto do golpismo.

Pobre Tancredo, quando poderá descansar em paz…

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A propósito de golpe político que, de novo, paira sobre nossas cabeças,  o A Tal Mineira transcreve texto do Veríssimo, reproduzido no Blog do Miro:

Veríssimo critica “pregação golpista”

Por Altamiro Borges

O escritor Luis Fernando Veríssimo, autor de mais de 60 livros de sucesso no país, nunca se omitiu diante dos graves momentos da política – bem diferente de outros intelectuais que preferem o silêncio cúmplice. Em artigo publicado no jornal O Globo nesta quinta-feira (16), ele agora adverte para a onda golpista e fascista que se alastra no Brasil. Vale conferir:
Epa


No filme “2001 — Uma odisseia no espaço”, do Stanley Kubrick, astronautas descobrem na Lua (ou era em Marte?) um misterioso monólito, de origem desconhecida. Depois fica-se sabendo que o monólito fora posto ali como uma espécie de alarme. Quando exploradores da Terra o descobrissem, seria o sinal de que nossa civilização tinha os meios para invadir o espaço e se tornava uma ameaça para as civilizações extraterrenas que nos estudavam de longe desde que o primeiro primata acertara a primeira cacetada na cabeça de outro, e sabiam do que nós éramos capazes. A descoberta do monólito era um aviso: atenção, a barbárie vem aí, disfarçada de conquista científica.

Às vezes imagino como seria ser um judeu na Alemanha dos anos vinte e trinta do século passado, pressentindo que alguma coisa que ameaçava sua paz e sua vida estava se formando mas sem saber exatamente o quê. Este judeu hipotético teria experimentado preconceito e discriminação na sua vida, mas não mais do que era comum na história dos judeus. Podia se sentir como um cidadão alemão, seguro dos seus direitos, e nem imaginar que em breve perderia seus direitos e eventualmente sua vida só por ser judeu. Em que ponto, para ele, o inimaginável se tornaria imaginável? E a pregação nacionalista e as primeiras manifestações fascistas deixariam de ser um distúrbio passageiro na paisagem política do que era, afinal, uma sociedade em crise mas com uma forte tradição liberal, e se tornaria uma ameaça real? O ponto de reconhecimento da ameaça não era evidente como o monólito do Kubrick. Muitos não o reconheceram e morreram pela sua desatenção à barbárie que chegava.

A preocupação em reconhecer o ponto pode levar a paralelos exagerados, até beirando o ridículo. Mas não algo difuso e ominoso se aproximando nos céus do Brasil, à espera que alguém se dê conta e diga “Epa” para detê-lo? Precisamos urgentemente de um “Epa” para acabar com esse clima. Pessoas trocando insultos nas redes sociais, autoridades e ex-autoridades sendo ofendidas em lugares públicos, uma pregação francamente golpista envolvendo gente que você nunca esperaria, uma discussão aberta dentro do sistema jurídico do país sobre limites constitucionais do poder dos juízes… Epa, pessoal.

Se está faltando um monólito para nos avisar quando chegamos ao ponto de reconhecimento irreversível, proponho um: o momento da posse do Eduardo Cunha na presidência da nação, depois do afastamento da Dilma e do Temer.

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Postagem revista e atualizada dia 17.07.2015, às 10:05: correção de erro ortográfico na segunda linha do segundo parágrafo do texto de abertura: “se” e não “si”. Minhas desculpas.


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