No reino da cretinice, o golpe sobre Dilma mira em Lula

por Sulamita Esteliam

O resultado da votação da Comissão de Impeachment, favorável à abertura do processo que tenta encerrar o mandato da presidenta Dilma Roussef, eleita por quatro anos, por 54 milhões de votos, para dirigir o País é mais do mesmo.

O processo agora segue para o plenário do Senado, onde é preciso apenas maioria simples, dos presentes, para dar início à fase de investigações e, portanto, ao afastamento de Dilma do cargo por 180 dias.

A rigor, com base no total de senadores, que é 53, o governo precisa conquistar 28  votos para impedir que o processo siga. Tem 20 assegurados. Mas o andar o andar do golpe tem mostrado não a adversidade das  circunstâncias, mas da trama urdida para usurpar o poder que a oposição, mídia venal à frente, foi incapaz de conquistar nas urnas.

Vigoram a cretinice e a desfaçatez.

E não me venham com a conversa de que Dilma não detém mais os votos que lhe reconduziram ao governo em 2014. Ela foi eleita para governar por quatro anos, não cometeu crime de responsabilidade que justifique o impeachment, segundo a nossa ultrajada Constituição Federal.

Além disso neste país não há Parlamentarismo, sistema que permite derrubar o governo por quebra de confiança, ou popularidade. Nosso sistema de governo é presidencialista. Portanto, é golpe, sim senhor e sim senhora, e não podemos nos cansar de repetir, e repelir.

Todavia, e já que estou na capital das Alterosas, até a Serra do Curral sabe que a derrubada do governo Dilma, com todo o desrespeito à Democracia, e todo o machismo que a alimenta, é apenas o meio para se atingir o alvo real, a pedra no sapato da plutocracia brasileiro.

O nome dele é Luiz Inácio Lula da Silva, o fantasma a assombrar 2018, conforme A Tal Mineira já apontou em postagens anteriores – aqui e aqui, por exemplo.

A propósito, Maurício Dias, colunista de Carta Capital, traduz o que chama de “o ‘xis’ da questão”. Está em sua coluna Rosa dos Ventos na edição desta semana. Vale conferir:

 

Lula, o “xis” da questão

Objetivo final da trama golpista, alijar o ex-presidente da eleição de 2018. O impeachment é apenas uma passagem do processo
por Mauricio Diaspublicado 06/05/2016 15h41, última modificação 07/05/2016 09h23
A presidenta, acuada, resiste- Foto: Evaristo Sa/AFP
A presidenta, acuada, resiste- Foto: Evaristo Sa/AFP

Impossível imaginar que a presidenta escape da decisão premeditada da maioria oposicionista no Senado para impedi-la e, por ora, afastá-la da Presidência por até 180 dias.

É um engano pensar, porém, nessa ausência como o princípio do fim de toda amanobra golpista. Para o ingresso de alterações do percurso, há portas além daquelas do Congresso. 

Outras se abrem para recursos legais ou, quem sabe, para a reação da voz das ruas. De todo modo, Dilma Rousseff promete continuar. Tem dito e repetido: “Vou lutar para voltar ao governo”.

Para afastá-la, o golpe de Estado desenrolado no Parlamento faz parte de um conjunto de medidas tramadas pela oposição juntamente com aliados distribuídos para muito além do próprio Congresso. Para tanto, a mídia nativa se oferece como o instrumento mais afiado.

Dilma, de qualquer forma, não é o objetivo primordial dos opositores. O ex-presidente Lula é o “xis” do golpe. Ele é o fator obsessivo da perturbação dos adversários, e eleito em 2018 detonaria a “ponte para o futuro” que os arquitetos do PMDB pretendem construir à sombra da traição de Michel Temer.

De volta à Presidência, Lula detonaria, obviamente, a tal ponte, ao retornar à pauta de 12 anos de governos petistas, comprometidos com as necessidades dos cidadãos mais pobres. Nesse sentido, os programas sociais dispensam apresentação e comparação. Eles existem e a população os conhece. E, através deles, reconhece Lula.

Para tentar superar a estrondosa liderança popular de Lula, os golpistas não hesitam em rasgar a Constituição. Transitam até, sem o menor pudor, pela ilegalidade, como se deu largamente no caso dos grampos telefônicos, sem a mais pálida preocupação de verificar o que se relacionava com as investigações e com quanto nada tinha a ver com elas. Chegou-se a registrar e divulgar conversas entre a presidenta e o ex-presidente.

Sergio Moro, desatinado, apresentou desculpas ao STF. Mas não consta que o juiz em algum momento tenha se ruborizado. Ele mesmo autorizou a condução coercitiva de Lula para depor.

Valeria para o ex-presidente ultrajado repetir trechos da Carta Testamento de Getúlio Vargas: “A mentira, a calúnia, as mais torpes invencionices foram geradas pela malignidade de rancorosos e gratuitos inimigos numa publicidade dirigida, sistemática e escandalosa”.

Ao assumir a sua pré-candidatura à Presidência em 2018, Lula reagiu à perseguição golpista, movida inicialmente a ódio de classe, urdida contra um ex-operário metalúrgico. A partir desse momento, ele passou a viver sob a ameaça de prisão, por acusações desprovidas de prova.  

Mesmo após dois anos de campanha martelante da mídia, desfechada com o transparente propósito de estigmatizá-lo de vez, o ex-presidente ainda é o candidato preferido do eleitor brasileiro.

Os adversários de Lula vivem um dilema. Se ele não for preso, disputará a eleição em 2018 e pode ter uma votação avassaladora. Mas pode ser pior se for preso. Criarão um mito.

 

 


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