Tira a mão, meu corpo não é folia. Basta de assédio!

por Sulamita Esteliam

Fantasia não é convite nem beijo é pedágio. É assédio, e assédio não é brincadeira inocente nem é parte da folia. Assédio é crime, e tem que ser denunciado, e punido: #Ligue180, de qualquer lugar do Brasil; a chamada é gratuita, e a denúncia é encaminhada aos canais competentes. Se não funcionar, a gente grita.

Não, no Carnaval não vale tudo. Permissividade só com permissão. Brinque, dance, freva, ferva, mas tire a mão se não é bem-vindo; e use a boca para cantar e beber.

Sabe o que é não? Não é não.

Então, fique na sua e deixe a mina na dela.  Não estrague a festa.

Eis o espírito que orienta as campanhas contra o assédio no Carnaval.

Há três novas agitando os ares e as redes. Uma delas vem das Gerais, As Minas do Carnaval de Belô.

Foi lançada nesta segunda, em Beagá, por um grupo de mulheres que amam a folia, e se organizam em blocos carnavalescos e em diferentes coletivos feministas, e naturalmente se preocupam com o assédio sem fim e com o imperativo de combatê-lo.

Elas têm razão, já passou da hora de dar um basta. Assista ao vídeo:

 

Campanhas não faltam, desde pelo menos o início dos anos 2000, não obstante. O  cerne da questão é a cultura, não a cultura do Carnaval, mas a cultura machista, patriarcal, misógina, que vê a mulher como objeto de posse, território propício aos instintos bestiais.

A sociedade – Estado, Igreja(s), Escola, instituições – é machista. As famílias são machistas. Vem do berço, e é do berço que se tem que educar.

Senão, haja campanhas educativas!

No Recife, o bloco Nem com uma Flor, que tradicionalmente desfila nas tardes da quinta pré-carnavalesca, cumpre esse papel de alertar e denunciar com humor a violência sexista.

Mas as ladeiras de Olinda e o Recife Antigo são pródigos em relatos de assédio, a despeito de sucessivas campanhas, locais e nacionais. O mesmo acontece nas ruas de Belo Horizonte, do Rio, São Paulo, Salvador, Fortaleza, Brasília… nos sete cantos do País.

Ano passado, até a ONU Mulheres colocou nas ruas e nas redes a campanha Meu Número é 180, estimulando a denúncia contra abordagens agressivas, abusivas. A Tal Mineira divulgou.

Por conta disso, também, as denúncias de violência no Carnaval saltaram de 98% para 175% em relação a igual período de 2015.

Entra no segundo ano a campanha criada pelo Catraca Livre em parceria com a revista AzMina e os coletivos Agora é que são elas, Nós, Mulheres da Periferia e Vamos juntas?, de São Paulo.

caarj-carnaval-preconceitoNo Rio, a iniciativa vem da Caarj – Caixa de Assistênca dos Advogados do Rio de Janeiro, que este ano percorre os blocos recomendando não levar para a folia o preconceito, o abuso, a violência contra mulheres e homossexuais.

Aqui, nas cidades-irmãs, onde a festa agrega milhares aos cerca de 2 milhões de cidadinos, a ideia é dos coletivos Meu Recife e Mete a Colher, e visa colher relatos de assédio durante o reinado de Momo: Aconteceu no Carnaval vai receber depoimentos até o dia 05 de março.

O objetivo é traçar um diagnóstico não apenas do assédio, mas da ausência de políticas públicas para coibi-lo. O resultado será tornado público em intervenções durante a Parada Internacional das Mulheres, no 08 de março, no Parque 13 de Maio.

Para dar um basta ao assédio e ao abuso no Carnaval.

Fecho com mais uma marchinha da campanha do As Minas no Carnaval de Belô, da compositora Brisa Marques:

 


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