O barco golpista aderna na lambança

por Sulamita Esteliam

O dia foi corrido e só agora, noite quase virando, pude chegar ao computador. Hoje (terça-feira, na verdade) foi dia de tirar os pontos da cirurgia, fazer compras inadiáveis e cozinhar para garantir um comidinha esperta para filha que mora em Beagá e que chegou agora à noite para passar uma semana em terras recifenses.

Enfim, vida que rola e corre, e que nos obriga a ficar espertos, no bom sentido. Nem sempre a hora chega a tempo.

Pelas redes sociais e uma rápida navegada pela blogosfera leva a crer que o barco golpista começa a fazer água.

1. O ministro do Supremo Tribunal Federal, o decano Celso Mello, determina à Câmara e a seu presidente que se pronunciem sobre a tramitação a toque de caixa do projeto de terceirização ampla, desencavado de um sono de quase 15 anos nas gavetas da casa.

Enviado pelo governo FHC em 1998, foi aprovado pelo Senado no início dos anos 2000 e enviado à Câmara, que o engavetou. em 2003, tão logo assumiu a Presidência da República, Lula pediu a retirada da proposta. O requerimento do Executivo não foi examinado pela Câmara.

Tal argumento é apenas um constante de três mandatos de segurança de iniciativa parlamentar – um da Rede, o senador pelo Amapá, Randolf Rodrigues; outro do PDT, Andre Figueirdo, deputado pelo Ceará; e outro do PT, Carlos Zaratini, deputado por São Paulo e líder do partido – em exame no STF.  O outro é a flagrante inconstitucionalidade do projeto.

Caiu no colo do ministro.

2. Senadores peemedebistas, encabeçados por ninguém menos que Renan Calheiros, e outros ajudaram a produzir a lambança que leva o Brasil e a vida dos trabalhadores e da gente mais necessitada para o brejo.

Ameaçam uma rebelião, ou jogam os dados para tirar o corpo fora?

Note-se que Renan presidia o Senado quando do acatamento do processo pelo impeachment de Dilma, e conduziu a fraude até o fim.

Ao que circula, o mordomo golpista teria decidido sancionar o projeto, à revelia dos apelos ao bom senso, e de um acordo que previa aguardar a votação do PL 30 pelo Senado aprovado pela Câmara em 2015 (PL 4330) para optar.

Vampiro dos direitos dos brasileiros, como traduz magistralmente a charge do Aroeira, a quem A Tal Mineira agradece, penhoradamente.

O projeto é quase tão ruim quanto, pois deixa porta aberta para a terceirização escancarada. Mas há outros dois projetos sobre o assunto tramitando no Senado. E o senador Paulo Paim é relator dos três, e garante que seu substitutivo mantém a proibição de terceirizar contratações nas atividades-fim.

Eis o vídeo gravado pela deputada Maria do Rosário (PT-RS) com os senadores Randolf Rodrigues (Rede) e Paulo Paim (PT). Eles explicam o que está acontecendo. Capturei no Tijolaço.

Acendeu uma luzinha no fim do túnel.

O que só reforça a necessidade de todos irem para as ruas no próximo dia 31 em protesto contra o desmonte da Previdência Social e por nenhum direito a menos.

 


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