Dilma encara o arbítrio da caixa de Pandora, discretamente

por Sulamita Esteliam

O 24 de maio já se inscreve como mais um dia nacional da barbárie. E não foi apenas na Esplanada dos ministérios que a violência policial, institucional, totalitária campeou sobre manifestantes pacíficos. Mal amanhecia a quarta-feira e a polícia do Pará, estado governado por tucanos, promovia mais um massacre, numa ação de despejo que deixou  10 cadáveres de posseiros, dentre eles, uma mulher.

As informações disponíveis dão conta de que a chacina na Fazenda Santa Lúcia, em Pau D’Arco, foi levada a cabo pela Delegacia de Conflitos Agrários em Redenção (Deca), com apoio de policiais de Redenção, Conceição do Araguaia e Xinguara.

O 24 de março é o dia em que o mordomo usurpador abriu guerra fisica contra o povo, e depois escondeu-se sob os coturnos do Exército, das Forças Armadas. Estado de Sítio. Reedição farsesca do AI-5, de triste memória: AI-Temer!

Tamanho embuste, partindo de onde e de quem, causou espanto na Suprema Corte. A ponto de, em meio à sessão, o ministro Marco Aurélio de Mello anunciar o feito e confessar aos pares: “Espero que seja mentira”.

Pior que não.

Definitivamente, a caixa de Pandora está escancarada, e ela tem forma, cheiro e cor de luta de classes. Este o motor do golpe permanente, que precisa ser brecado. Haveria acordo possível nessas circunstâncias?

O dia em que a truculência tentou ceifar o direito do povo manifestar-se por suas conquistas dilapidadas pelo desgoverno ilegítimo.

O dia em que o sangue de trabalhadores virou adubo da terra, mais uma vez.

E o que fica de toda essa covardia e desfaçatez, de todo esse cinismo, desmantelo e horror?

Não existe solução fora da vontade popular.

Ainda que Marx tenha alertado, lá nos idos do século 19, que os governos nada mais sejam do que comitês a serviço da burguesia. Tomo, aqui, lembrança mais do que oportuna do ator Bemvindo Sequeira, em seu canal no Youtube.

Não obstante, o povo na rua mostra sua capacidade de resistência, e é com ela, na luta, que há de recuperar a sua soberania, a possível.

O caminho é longo, e a luta incessante.

E assim, em meio à balbúrdia, escárnio, desespero e oportunismo, o A Tal Mineira celebra a ação da defesa da presidenta legítima, Dilma Rousseff, de lembrar ao STF a necessidade de decidir pela restauração da Democracia, anulando a fraude do impeachment.

A registrar a postura de absoluta discrição da presidenta afastada nesse momento de extrema gravidade da vida do País. Estadista, é outro papo.

 

Eis a informação postada no sítio Dilma.com.br:

Defesa pede ao STF que julgue legalidade do impeachment de Dilma

24 DE MAIO DE 2017
 Advogado da presidenta eleita, o ex-ministro José Eduardo Cardozo entra com petição no Supremo, pedindo ao ministro Alexandre de Moraes, relator da ação sobre o afastamento, que julgue logo o caso

A defesa de Dilma Rousseff encaminhou nesta quarta-feira, 24 de maio, petição ao Supremo Tribunal Federal, pedindo à Corte que julgue a ação sobre a legalidade do impeachment da presidenta eleita em 2016. O caso está nas mãos do ministro Alexandre de Moraes, desde que o ministro Teori Zavascki faleceu, em janeiro deste ano. A ação que defende a nulidade do processo de impeachment foi apresentada pelo advogado José Eduardo Cardozo em setembro do ano passado. 

De acordo com Cardozo, Michel Temer foi atingido frontalmente por denúncias de corrupção e de tentativa de obstrução da Justiça, firmadas a partir de delações premiadas homologadas pelo próprio STF. “O País passa hoje por uma crise política e institucional aguda, em dimensões nunca antes vivenciadas”, ressalta o ex-ministro da Justiça e ex-advogado Geral da União.

“A cada dia se evidencia mais a ilegitimidade e a impossibilidade do atual presidente da República permanecer no exercício do mandato para o qual não foi eleito, e em que foi indevidamente investido por força de um processo de impeachment escandalosamente viciado e sem motivos jurídicos que pudessem vir a justificá-lo”, aponta.

“Urge que um governo legitimado por 54,5 milhões de votos, e indevidamente afastado do mandato que lhe foi outorgado pela população brasileira, retome as rédeas do País para buscar a normalidade institucional”, aponta Cardozo. “Somente o Poder Judiciário pode reverter esta situação lesiva à democracia e ao Estado de Direito”.

O advogado aponta que o país vive “as consequências funestas de um terremoto político motivado por um impeachment presidencial consumado sem causa constitucional plausível” e que o governo está “desmoralizado”, em condições insustentáveis de governabilidade perante a sociedade brasileira e a opinião pública internacional. “Uma renúncia desejada pela mais ampla maioria da população brasileira, mas que fica aterrorizada pela possibilidade de uma eleição indireta, feita pelo Congresso Nacional, onde muitos de seus membros são acusados de terem incorrido na prática de atos ilícitos”, observa Cardozo.

Segundo o advogado, que defendeu Dilma no Congresso durante o processo de impeachment, não há mais dúvida de que o afastamento da presidenta eleita ocorreu sem que tenha sido praticado qualquer ato que configure crime de responsabilidade.

Cardozo lembra na petição que o próprio Michel Temer apontou o desvio de poder de Eduardo Cunha, ao aceitar a abertura do processo de impeachment, em entrevista à TV Band, em abril. Disse Temer a jornalistas: “Veja que coisa curiosa! Se o PT tivesse votado naquele comitê de ética (votado favoravelmente a não abertura do processo de cassação do então deputado Eduardo Cunha), é muito provável que a Senhora Presidente continuasse”.

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Fotos:

Alto: 24.05.2017 – Mídia Ninja e Jornalistas Livres

Meio: 1.Marcha sobre Brasília, abril/2015 –  Lula Marques/Agência PT; 2. Montagem Dilma e Temer – Ricardo Stuckert/PR;  3. Manifestação contra o golpe em 10.05.2016, Recife – SEsteliam

 


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