Teve greve, teve repressão, mas também teve festa e muito #ForaTemer

por Sulamita Esteliam

Nois sofre, mas nois pode até nem gozar – ao contrário do bloco carnavalesco do Recife, criado há 41 anos pelo Tarcísio Pereira, que dirigiu a Livro 7, a maior livraria da América Latina – mas nóis não perde a fibra.

Há algum tempo o bloco concentra, mas não sai, mas o gozo é cultivado com esmero.

O bloco que foi às ruas centrais do Recife neste 30 de junho, e nas ruas das capitais e dezenas de cidades brasileiras é o bloco dos lenhados pelo desgoverno e seus asseclas congressistas, judiciários e midiáticos de plantão.

Não foi nenhum 28 de abril, mas foram manifestações bonitas de se ver. Para celebrar a greve que, aqui no Recife, deixou a cidade às moscas, sem transporte, e sem movimento, até o início da tarde.

O Recife, apesar dos governos avestruzes no Palácio do Planalto, Campo das Princesas e no Cais do Apolo, cumpre a tradição de acompanhar e proteger os movimentos. Exceções houve em épocas recentes, mas quedaram-se como tais.

Prevaleceu o clima de festa, num imenso arraiá que começou na Praça do Derby, a praça da Democracia, e seguiu pela Conde da Boa Vista até a Guararapes, percurso tradicional de cerca de três horas, sem nenhuma pressa. E com substância.

Metroviários, rodoviários, bancários, metalúrgicos, previdenciários, professores, policiais civis, comerciários, trabalhadores da saúde, aeroviários, organizações de mulheres, LGBTs, comunidades, estudantes, aposentados, sem-tetos, sob diferentes bandeiras sindicais e dos movimentos sociais.  Cerca de 40 organizações representadas.

Gente de todas as idades. Jovens, muitos jovens. Políticos com e sem mandato. Artistas.

Todas as centrais representadas. Com uma ou outra exceção da esquerda desencontrada, discursos afinados com a realidade e com o que importa combater.

“Muita calma nessa hora” recomendavam as faixas dos manifestantes encarregados de deter o trânsito, à essa altura, já normalizado. Motoqueiros abusados, taxistas furiosos, só puderam ruminar.

Os audaciosos, que tentaram quebrar a barreira foram desencorajados pela Guarda Muncipal, que é quem cuida do trânsito por aqui.

No Brasilzão do deus temeroso, aquele que botou o país sob a batuta do mordomo usurpador, o arbítrio correu solto, porém: truculência e prisões desmedidas em São Paulo, Porto Alegre, Fortaleza e Porto Velho, barbárie em Santa Catarina, Rio de Janeiro, Uberlândia e São José dos Campos.

Em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, o requinte de até sindicato, dos comerciários, ser invadido pela PM, que queria prender o coordenador para evitar as atividades da greve.

Já se disse que o maior perigo das ditaduras é o guarda da esquina.

Enquanto uma quadrilha toma de assalto a nação, sob o olhar complacente e cúmplice da Justiça, todos os verdugos se sentem liberados para cortar cabeças.

O consolo é que o Universo, embora pareça displicente, não cochila. O que é deles, está guardadado.

 


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