Rodoviários param Recife, e patrões apostam no boicote parajudicial

Ponte Duarte Coelho na greve geral do dia 30 de junho – Foto: Esquerda On Line
por Sulamita Esteliam

Segundona de muita chuva no Recife, e em greve dos rodoviários, iniciada à zero hora, e por tempo indeterminado. Apenas 30% da frota de ônibus funcionou, o que deixou a cidade em clima de feriadão.

A exemplo da sexta-feira, 30, quando a categoria em peso aderiu à greve geral em defesa dos direitos sociais, trabalhistas e previdenciários e pelo fora, Temer.

Motoristas e cobradores estão em campanha salarial por reajuste e melhoria das condições de trabalho. Não houve acordo com os patrões, representados pelo Consórcio Grande Recife, e daí a greve.

No fim da tarde, o Tribunal Regional do Trabalho da 6ªREgião determinou que o Sindicato dos Rodoviários assegure um mínimo de 50% da frota circulando nos horários de pico  – das cinco à nove da manhã e de quatro da tarde as nove da noite -sob pena de multa.

Atende,para variar, a reivindicação patronal, que também entrou com pedido de ilegalidade da greve.

Detalhe importante é que o Sindicato acusa as empresas de praticarem o loucaute, retirando de circulação os veículos BRT, que atendem os terminais de integração com o metrô.

Com isso, na prática, o número de veículos circulando ficou aquém do mínimo proposto pelos próprios grevistas, o que pode ter influenciado na decisão do TRT.

A prática do locaute é um costume nas greves dos rodoviários. Quando o sindicato não é combativo, os patrões estimulam a greve para pressionar as administrações públicas por reajuste.

Parece não ser o caso da atual direção dos rodoviários na capital pernambucana, depois de anos de pelegagem. Mas aí, a ação patronal visa a desmoralização do movimento pela intervenção judicial.

Ou seja, a corda quase sempre arrebenta do lado mais fraco, e em benefício dos de sempre.

Mas nem sempre.

Hoje, no Tijolaço, a propósito da prisão do dono da maior frota de coletivos do Rio de Janeiro, Jacob Barata, o colega Fernando Brito lembra o dia em que o então governador Leonel Brizola (PDT) encampou, por decreto, 16 empresas de ônibus para evitar o caos no Grande Rio.

O Estado passou a responder, então, por 25% do transporte coletivo na região.

Era o ano de 1985, e as empresas de coletivo haviam tentado intervir no resultado das eleições municipais praticando locaute. Não conseguiram, e Saturnino Braga (PDT) foi eleito prefeito da cidade do Rio de Janeiro.

“No momento de inventariar os bens das empresas, surgiram os carros de luxo, as lanchas e até aviões particulares, comprados com o dinheiro amealhado dos passageiros de ônibus caros, sujos e irregulares”, escreve Brito, que foi secretário de Imprensa do governo Brizola.

Vale a pena ler, também, no The Intercept Brasil, reportagem bem no espírito carioca, que resgata a “maldição dos casamentos” de gala realizados no Copacabana Palace.

O “gancho” também é a prisão do Barata, que há quadro recepcionou ali os mais de mil convidados do casamento de sua filha, Beatriz Barata, com o filho de outro empresário da área de transportes urbanos, o cearense Francisco Feitosa Filho.

Sob protestos de manifestantes que sugeriam, em cartazes e gritos, que “dona baratinha” fosse de ônibus para o casamento. Era julho de 2013, ocasião dos protestos contra reajustes de passagem de ônibus.

Há que se registrar, de fato, não eram por 25%; acabaram abrindo a caixa de pandora que despejou nas ruas a direita despudorada, e acabou redundando no golpe parlamentar-jurídico-midiático do impeachment da presidenta Dilma.


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