Condenação de Lula é mais um ataque à democracia e ao povo deste país

Lula e o maio em Curitiba – Foto: Ricardo Stuckert
por Sulamita Esteliam

Que é terra arrasada a gente sabe, faz tempo. Divulgar a condenação de Lula no dia seguinte ao ceifamento dos direitos dos trabalhadores, não é só admitir a concertação que mantém o golpe permanente no país, o garrote na nação, é dizer ao Zé e à Maria Povinho que ele, de fato, vale zero à esquerda.

A esperança só pode ser bem-nascida. Numa palavra, fico com a definição da presidenta Dilma Rousseff, a legítima, em nota divulgada no inicio da tarde: “A condenação de Lula é um escárnio!”

O “deus” mercado está em concussão orgástica com a notícia da sentença condenatória a nove anos e meio de prisão, em regime fechado. As manchetes explodem, mas a verdade é que a mídia venal teve o coito interrompido.

Frustra-se porque queria ver o Lula preso, só que Sérgio Moro, o justiceiro, não teve culhão para determiná-lo. Moro pode ser parcial e vaidoso, mas não é besta.

Viu de perto, no 10 de maio em Curitiba, como o povo é capaz de se mobilizar quando se trata de defender o maior e melhor presidente que nunca dantes esse país pode experimentar.

Militância toma o vão do Masp, em São Paulo – Foto: Rede Brasil Atual

Vê agora o povo na rua e em vigília, em São Paulo, em Porto Alegre, em Salvador e em Brasília. E continuará vendo no dia depois e nos que virão, em Belo Horizonte, Recife e outras capitais.

Sabe que botou lenha na fogueira, e não sairá ileso dela.

Mas não pode resistir à provocação do ódio que já disseminou dentre os aloprados de aluguel: não à toa, escolheu exatamente nove, – o número de dedos do ex-torneiro mecânico, depois do acidente que lhe ceifou o polegar da mão esquerda; é o o tempo de reclusão que gostaria de lhe impor, já.

É uma indignidade que não tem tamanho, uma indecência que envergonha a Justiça e o Brasil – e deveria envergonhar os jornalistas que tomam assento ao lado dos patrões e do golpe. Causa não apenas revolta de ativistas,  mas  a repulsa de lideranças aqui e alhures.

PORTO ALEGRE, RS – Ato em apoio ao lula no Diretório Municipal do PT. Foto: Guilherme Santos/Sul21

Também por isso gostaria de regozijar-se a mídia golpista, que quer ver Lula mais do que humilhado, já que é incapaz de desconstruí-lo, apesar do bombardeio sem trégua, não nos três anos de perseguição, mas desde 2005.

Importa impedir que seja candidato em 2018.

A hipótese só vale se a condenação for confirmada em segunda instância. Sem provas, se o primado da lei for repeitado, não pode ocorrer. E não é esta velha escriba, que não cursou Direito, quem o diz; é a lei, são os juristas de bom nome e caráter ilibado.

São os fatos.

O exemplo de João Vaccari, ex-tesoureiro do PT está aí: 15 anos de condenação anulada por falta de provas.

Sim, claro que na hipótese de as eleições de 2018 forem mantidas. Porque, no andar da carroça do lodaçal sem freio, não há qualquer garantia.

Então, nada mais dispensável, a não ser para gozo próprio, do que a citação de Moro, na sentença, à base legal que determina a proibição de condenados a disputarem eleição.

Onanismo que só expõe o tipo de justiça que pratica.

Sim, porque até as areias da Praia de Boa Viagem sabem que Lula é inocente, e o provou. Seus advogados desconstruíram as alegações em detalhes, e obviamente vão recorrer da sentença. E o ônus da prova cabe ao acusador.

Convicção em cima de “uma única delação” – e de quem tem interesse em livrar-se de pena maior – “e da teoria expansionista” do procurador-pastor-palestrante Deltan Dalangnol, o do power-point, transposta das práticas estadunidentese.

Tão estapafúrdios os argumentos, que chegam a ser risíveis, se não fossem trágicos, como o seria para a vida de qualquer cidadão de bem.

Os arrecifes que nos salvam de virar comida de tu-tubarão, na capital do estado onde dona Lindu pariu Luiz Inácio e os outros sete de sua prole, contudo, não nos salvam da camarilha que tomou de assalto o poder.

E não nos livra da injustiça conveniente, da lambança legal em conivência golpista.

É questão de classe e de política se trata. E tem que vir da política a solução.

É mais um ataque à democracia, e o povo, não apenas a militância e os ativistas sociais, não pode ficar na janela vendo a banda passar. Ou farão com o que lhe resta de esperança o que estão fazendo com os seus, os nossos direitos.

Hora da gente que carrega este país no lombo, a mesma gente que dá a Lula a preferência nas pequisas, mostrar na rua que não vai lustrar o pelourinho nem untar a chibata para o açoite.

O  que é deles está guardado.

*******

Clique para ler a Nota Oficial do PT em repúdio à condenação de Lula.

Compartilho o vídeo da fala de Gleisi Hoffmann, presidenta do partido, da tribuna do Senado:

Transcrevo a Nota dos advogados de Lula, postada no sítio do ex-presidente:

Nota dos advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva

Por mais de três anos, Lula tem sido objeto de uma investigação politicamente motivada
Vanessa Teixeira e Cristiano Zanin Martins, advogados do presidente Lula, na coletiva de imprensa desta quarta, 12 de junho de 2017 – Foto: Cláudio Kbene
Cristiano Zanin Martins e Valeska Teixeira Zanin Martins*

O presidente Lula é inocente. Por mais de três anos, Lula tem sido objeto de uma investigação politicamente motivada. Nenhuma evidência crível de culpa foi produzida, enquanto provas esmagadoras de sua inocência são descaradamente ignoradas. Este julgamento politicamente motivado ataca o Estado de Direito do Brasil, a democracia e os direitos humanos básicos de Lula. É uma grande preocupação para o povo brasileiro e para a comunidade internacional.

O juiz Moro deixou seu viés e sua motivação política claros desde o início até o fim deste processo. Seu julgamento envergonhou o Brasil ao ignorar evidências esmagadoras de inocência e sucumbir a um viés político, ao mesmo tempo em que dirige violações contínuas dos direitos humanos básicos e do processo legal. O julgamento prova o que argumentamos o tempo todo – que o juiz Moro e a equipe do Ministério Público na Lava Jato foram conduzidos pela política e não pela lei.

O presidente Lula tem sido vítima do lawfare, o uso da lei para fins políticos, famoso método foi usado com efeitos brutais em diversas ditaduras ao longo da história. Este julgamento politicamente e tendencioso mostra bem como os recursos judiciais do presidente Lula foram esgotados internamente e por que foi necessário encaminhar este caso para o Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas em Genebra.

Ninguém está acima da lei, mas ninguém está abaixo da lei. O presidente Lula sempre cooperou plenamente com a investigação, deixando claro para o juiz Moro que o local para resolver disputas políticas são as urnas, não as cortes de justiça. A investigação teve um impacto enorme na família de Lula, sem deixar de mencionar sua esposa Marisa Letícia, que morreu tragicamente este ano.

O processo foi um enorme desperdício do dinheiro dos contribuintes e envergonhou o Brasil internacionalmente. É tempo agora para reconstruir a confiança nas leis brasileiras e o juiz Moro deveria se afastar de todas suas funções. Nós provaremos a inocência de Lula em todas as cortes não tendenciosas, incluindo as Nações Unidas.

*advogados do ex-presidente Lula.

 

 

 


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