Jornalismo de guerra é parte do jogo do poder

por Sulamita Esteliam
Brasília – Presidenta Dilma Rousseff durante encontro com juristas contrários ao impeachment, no Palácio do Planalto em março de 2016 – Foto José Cruz/Agência Brasil

O A Tal Mineira foge do espírito croniqueiro das sextas para publicar Nota da Assessoria de Imprensa da presidenta Dilma Rousseff, a legítima, postada no sítio eletrônico dela, em torno das notícias sobre a prisão temporária recente do ex-presidente do Banco do Brasil em seu governo, Roberto Bendine.

Prisão, aliás, como tantas, que se sustenta em ilações sem pé nem cabeça, que agridem o mínimo senso de raciocínio. Ainda que Bendine seja um homem de negócio, ou justamente por isso. Cheira a mais uma tentativamente de manter as gestões petistas sob suspeita e seus gestores sob ameaça.

Vale tudo no jogo do poder e no jornalismo de guerra. Cabe à gente pensar, quem ganha com isso. E a história e o tempo coleciona exemplos de que a mentira tem perna curta.

Dito de outra forma, cortina de fumaça sobre o que, como bem lembra Fernando Brito, no Tijolaço,  é o objetivo maior, destruir o Estado brasileiro, como tudo indica, depois da Petrobras é a vez do Banco do Brasil, a segunda maior estatal.

Antes, o blogue se permite lembrar que se encontra em curso uma campanha de assinaturas para ação popular pela anulação da fraude do impeachment que depôs a presidenta Dilma Rousseff para dar assento ao ex-vice e sempre traíra, aqui nominado mordomo usurpador, e toda a camarilha golpista que tomou de assalto a República.

Como é sabido, há um mandato de segurança pela anulação do impeachment dormindo em uma das gavetas do Supremo Tribunal Federal. Ainda que o relator designado pela roleta biruta da Corte seja o ex-ministro do desgoverno, Alexandre Moraes, é preciso pressionar o STF a cumprir seu papel de guardião constitucional.

É tentar fazer valer a máxima de que, nas palavras de outro ministro claudicante, Marco Aurélio de Mello, “o Supremo é o último reduto da cidadania.”

Claro que o comportamento histórico, e sobretudo em tempos recentes, desnuda justamente o contrário. Mas é o caso de testá-lo, provar que as dúvidas não procedem cabe à casa dos 11 ministros, presidido por uma mulher – ainda que vacile sobre questões de gênero.

Há novidades, de qualquer forma, que podem ajudar a disseminar a proposta: no portal do Senado, há uma consulta pública no segmento denominado Ideias Legislativas. Clique para apoiar.

No momento em que escrevo, já são 25.886 apoios, e são necessários 20 mil para que a a recomendação de que a Câmara Alta debata a questão seja acatada. Quanto mais gente apoiar, melhor.

Está provado que o impeachment foi uma farsa, montada em cima de pedaladas fiscais, amplamente praticada por todos os governos. Não houve crime de responsabilidade, que sustentasse a deposição a primeira mulher presidenta da República do Brasil, acatado e votado naquela casa há cerca de um ano.

Ao fazê-lo, jogou no lixo 54,5 milhões de votos que a elegeram – mais outros 51 milhoes que votaram no adversário que se revelou mau perdedor, e acionou o gatilho golpista “só para encher o saco deles”, do PT.

Em conseguinte, a Constituição e a nossa frágil Democracia foram violadas, e são cada dia mais arrombadas. E abriu-se a caixa de pandora da violação de direitos das brasileiras e dos brasileiros, todos, mas em especial os que mais precisam.

Vivemos em estado de golpe permanente, implantou-se o Estado de exceção.

Diretas sempre, mas permita-me insistir, primeiro anular o golpe é a única forma de restaurar o princípio democrático do respeito ao voto, desrespeitado, inclusive por aquela casa, há cerca de um ano.

É fato.

Todavia, é preciso acreditar que as coisas podem melhorar.

Palavras de Dilma Rousseff, em entrevista à Rádio Tabajara, de João Pessoa, não obstante sobre eleições gerais diretas para suceder o mordomo do desgoverno, mesmo sem Constituinte que altere as regras políticas vigentes que nos trouxeram aonde estamos.

Vamos à nota referida na abertura desta postagem (a foto é por conta do A Tal Mineira):

 

Concentração para o Ato em defesa da Democracia, de nossos direitos e de Lula – Recife, 20 de julho de 2017 – Foto: SEsteliam

“O Globo” e o jornalismo de guerra

28 DE JULHO DE 2017
 

A propósito do noticiário e das opiniões publicadas nesta sexta-feira, 28 de Julho, no jornal “O Globo”, a Assessoria de Imprensa de Dilma Rousseff esclarece:

1. “O Globo” mente e distorce os fatos, como de costume. O jornal continua fomentando ilações sem fundamento. Não podemos esquecer que deu lastro aos golpistas que, hoje, afrontam o país.

2. As Organizações Globo fazem um jornalismo contra as forças populares e progressistas. Nada de novo. A empresa tem experiência nisso, como mostra a História, mas, mesmo assim, é forçoso esclarecer.

3. Não é verdade que a presidenta eleita Dilma Rousseff tenha nomeado Aldemir Bendine para a Petrobrás com o propósito de bloquear acordos de leniência de empresas envolvidas na Lava Jato. “O Globo” não menciona, mas foi no governo de Dilma Rousseff que se modernizou a legislação contra as organizações criminosas e criou-se, por medida provisória, as condições para o acordo de leniência.

4. A presidenta eleita apoiou esses acordos de leniência com o objetivo de preservar as empresas e os empregos, mas punindo os responsáveis por corrupção.

5. Durante todo o seu governo, Dilma Rousseff não criou obstáculos às investigações de corrupção, não obstruiu a Justiça, nem impediu a punição de responsáveis por ilicitudes. Também nunca promoveu intervenções na Polícia Federal ou nomeou ministros de Estado com este propósito. Quem falou em derrubar o governo para “estancar a sangria” foram os políticos que – apoiados pelas Organizações Globo – promoveram o golpe.

6. Nem por isso, a presidenta eleita agiu para condenar sem provas. Sempre defendeu o respeito ao princípio do contraditório e do direito de defesa, como é típico dos regimes em que há um Estado democrático de direito. Tampouco concordou com vazamentos seletivos ou grampos sem autorização da Justiça.

7. “O Globo” manipula a opinião pública ao insinuar que Aldemir Bendine foi indicado para a Petrobras por ter relação pessoal com Dilma. Ele foi nomeado porque tinha reconhecida capacidade como gestor, demonstrada nos resultados alcançados à frente do Banco do Brasil. E, ademais, tinha perfil técnico para preencher o cargo de presidente da Petrobras, do qual a competente e honesta Graça Foster se retirou depois de longa e implacável perseguição.

8. A insistência das Organizações Globo em desconstruir a imagem da presidenta eleita Dilma Rousseff é expressão do jornalismo de guerra. Tais versões manipuladas serão desmascaradas pela História, que não encobrirá o papel vergonhoso que parte da imprensa nacional desempenhou nesses tristes dias para a democracia no Brasil.

 

ASSESSORIA DE IMPRENSA

DILMA ROUSSEFF


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