Volta Dilma começa a ganhar as ruas, por justiça e pela Democracia

por Sulamita Esteliam
Dilma, coração valente: na luta e sem melancolia – Foto: Leandro Taques/Jornalistas Livres

Por questão de justiça com o Brasil, com a Democracia, com a presidenta Dilma Rousseff e também, ouso dizer, com A Tal Mineira, blogue e escriba, peço atenção para o artigo que transcrevo mais abaixo. Publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza, no sábado, está reproduzido no Conversa Afiada nesta segundona.

Explico: este blogue e esta escriba têm pregado há mais de um ano que não há retomada da democracia de fato, mesmo aquela engatinhante que praticávamos no Brasil, sem o restauro da legalidade constitucional, qual seja: a derrubada do golpe pela anulação do impeachment fraudulento da presidenta Dilma pelo STF.

Uma das postagens mais recentes a respeito: Diretas sempre, mas primeiro derrubar o golpe e restaurar a Democracia. Escrevo:

Diretas sempre. Afinal todo poder emana do povo e por ele será exercido. É o que diz a Constituição.

Mas esta reles escriba insiste, e não está sozinha, felizmente: a Constituição foi violada, e o caminho para restaurar a plenitude democrática passa, primeiro, pela anulação da fraude do impeachment, que sequestrou 54,5 milhões de votos conquistados nas urnas por Dilma Rousseff.

Impressiona o fato de nenhuma liderança de esquerda e dos movimentos sociais faça qualquer menção sobre esta via da soberania popular. É preciso, ao par da campanha por eleições diretas, que se pressione o STF para anular a farsa que depôs a presidenta.

Dilma retornaria ao governo para organizar a transição, que passa pela convocação de uma Constituinte para realizar a reforma política, com referendo popular, e aí, sim, convocação de eleições gerais livres e diretas.

É fundamental agir em todas as frentes, porque os golpistas o fazem, simultânea e ininterruptamente.

Sabemos todos, que este é o caminho pouco provável, dado que a Suprema Corte foi conivente com o processo que resultou no golpe parlamentar-jurídico-midiático.

Mas o que é difícil não é impossível, e precisa ser tentado, perseguido. No caso, cobrado de quem tem o poder de resolver: cadê que o mandato de segurança entra na pauta do plenário supremo para julgamento?

Euzinha e, justiça seja feita, o ex-ministro e procurador da República aposentado, Eugênio Aragão, e algumas ativistas das redes digitais, mulheres principalmente, e alguns pouquíssimos homens.

Pregadores, em princípio, quase solitários, mas agora já nem tanto, e até começa a ganhar as ruas. Cartazes nesse sentido têm sido vistos nos atos por Diretas Já – no Rio, Belo Horizonte, São Paulo.

E mais recentemente, como citado no artigo objeto dessa introdução, em protesto em frente ao STF, conduzido pelo PCO – Partido da Causa Operária.

Demorou, mas ainda é tempo. Até porque, o mordomo usurpador teima em não largar o osso.

O artigo de Sandra Helena de Souza, professora de Filosofia da Unifor e integrante do Instituto Latino-Americano de Estudos sobre Direitos, Política e Democracia, reforça esse sentido. É importante e necessário.

Um achado para uma segundona pós-feriadão de São João, que este ano caiu no sábado; mas aqui, e em outras plagas nordestinas, os festejos ao santo dá folga aos pecadores.

Já na metade da véspera tudo que se quer é forrozear, porque ninguém é de ferro.

E foi o que fiz: cozinhei guloseimas típicas dois dias seguidos, ao som de Gonzagão e seus eternos seguidores – para celebrar São João e o novo ciclo do maridão, aniversariante do dia. Só a família e alguns poucos amigos que nos visitaram a propósito.

Impossível chegar ao blogue, você há de compreender.

Ao artigo, pois:

Manifestação em Brasília, dia 21 de junho, organizada pelo PCO – Partido da Causa Operária – Foto: Diário da Causa Operária

O Curioso Caso Dilma Rousseff

Sandra Helena de Souza

Se você só se informa pela mídia tradicional, rádios, TVs e jornais impressos, incluindo este em que escrevo, certamente não soube da manifestação no dia 21 próximo passado que reuniu centenas de pessoas em Brasília diante do STF pela anulação do impeachment da presidente Dilma, sob organização do Partido da Causa Operária. Certamente também não sabe que comitês espontâneos pelo #AnulaSTF se formam país afora, compostos em sua maioria por mulheres – aqui no Ceará, o “Mulheres com Dilma”, combativo coletivo de senhoras que lutaram pela Anistia, pelas Diretas dos anos 1980, e contra o Golpe de 2016 está à frente do movimento.

Dilma é frequentemente criticada por setores do campo progressista e pelos lulistas em especial, não sem razão e para além, mas também como corolário de seu temperamento pessoal, por não saber “jogar” o jogo político. Abstraio aqui de toda a controvérsia em torno dos erros da condução da política econômica e de comunicação que ela mesma já admitiu em várias das suas falas públicas e me concentro no ethos da política institucional propriamente dita. Para facilitar as coisas, resumamos esses argumentos assim: “ela foi muito ‘inflexível’ com os esquemas do PMDB, coisa que Lula foi competente para administrar”.

Uma já considerável literatura se arrisca a quente a analisar sua queda à luz do célebre Maquiavel. Debruçada sobre isso, me divirto com as posições que ora a consideram desprovida de qualquer astúcia, sem deixar de enfatizar sua ‘truculência’ (de que nem o distinto Haddad escapou), ora a enaltecem como um poço profundo de força e integridade inúteis – uma “leoa burra” na melhor das hipóteses. Menos, camaradas.

Uma longa entrevista concedida a Marco Piccin e Walter Pomar no site Página13 mostram que na verdade ela é peça-chave do jogo da recomposição da democracia no Brasil. Como em outras ocasiões, enfrenta com franqueza e peito aberto seus críticos interlocutores, demonstra uma inteligência e perspicácia incomuns na análise das questões geopolíticas e econômicas e nos elucida o motivo de Lula tê-la querido sua sucessora.

Leitura obrigatória e incontornável para a jovem geração, como incontornável é o coração valente dessa mulher cultíssima e segura de si que ao final, depois de citar Freud afirma: “eu me dou o direito de achar que não está na hora da minha melancolia”.

No artigo anterior afirmei que nesse terrível ano apenas ela melhorou a vida. Isso talvez explique por que nem ela ou os entrevistadores tenham falado na anulação do impeachment mesmo sabendo que o pedido da liminar de sua defesa foi reencaminhado em maio último para o ministro relator que substituiu Teori e vem a ser… Alexandre de Moraes. Sim, podem gargalhar.

Politicamente impossível diz-se em coro quanto à anulação, embora concordem que é o único correto do ponto de vista “ideal”; se aceita como possível que o Ilegítimo continue, com reformas, com bagaceira, com supremo, com tudo e mesmo que eleições nos levem a ainda mais retrocessos.

As mulheres e manifestantes em Brasília acreditam, porém, no inevitável da anulação. Um “em si” ainda sem “para si”, em bom hegelianês. Mas o correto é ao menos possível, como diz Kant e, sim, dona Dilma, de repente a consciência vira “para si” e el@s saberão o porquê: não mais absorver perdas. Não mais.

 


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