Acampamento Lula Livre é de novo ameaçado de remoção judicial

por Sulamita Esteliam

Recebi, no início da noite passada, cópia do mandato de remoção da Vigília Lula Livre, expedido pelo juiz Jailton Juan Carlos Tontini, da 3ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba – ao pé da postagem. É a confirmação da ordem que já existia no fim de maio, conforme o A Tal Mineira publicou, direto da cena de resistência, e que autoriza o uso da força policial, se necessário, para que se cumpra.

A informação está publicada na Gazeta do Povo, diário local.  A área a 100 metros da sede da Polícia Federal, onde o ex-presidente Lula está encarcerado há 73 dias. está ocupada desde a noite de sua apresentação para cumprir a decisão de prendê-lo à revelia de seus direitos constitucionais.

É resistência pacífica, que incomoda a mesma gente que levou à sua condenação sem prova e sem crime, por vários motivos. Dentre eles, o de deixá-lo fora das eleições presidenciais que lidera mesmo privado de liberdade.

O pedido de remoção é do prefeito Rafael Greca, corroborado por parte da vizinhança no Bairro de Santa Cândida. No início do mês, o mesmo juiz havia havia suspendido a retirada das barracas, com a determinação de que as manifestações se dessem a cada 15 dias para “garantir o sossego dos moradores”.

A coordenação da Vigília se reuniu à noite para discutir alternativas, e conseguiu agendar reunião de seu advogado com a procuradora-Geral do Município para o fim desta manhã. O objetivo é tentar um acordo que permita a manutenção das atividades do bom-dia, boa-tarde e boa-noite, presidente Lula.

De acordo com Dr. Rosinha, presidente do PT-PR, com quem falei ao telefone já tarde da noite, a perspectiva é de que se consiga chegar a bom termo:

“Teremos que ceder. Removemos as barracas, e em troca mantemos as atividades pacíficas, de apoio ao presidente Lula, conforme vimos fazendo há mais de dois meses, sempre respeitando o acordo de limitações do horário. Eles quebraram a regras.”

“Eles” são os grupos que se opõem à presença dos manifestantes pró-Lula no entorno da sede da Polícia Federal. Na madrugada da última quinta-feira, um grupelho de direita avançou sobre a Vigília Lula Livre, desrespeitando o interdito proibitório, que delimita áreas para cada corrente se manifestar.

Protegidos pela Polícia Militar, já encerrado o boa-noite, atearam fogo em pneus na Esquina Olga Benário, apagando o nome da militante comunista judia, entregue pelo fascismo aos seus algozes alemães, em 1942. O fogo atingiu as redes elétrica e telefônica.

Remanescentes da Vigília foram agredidos com provocações de toda espécie, houve foguetório e troca de farpas até depois da meia noite. Tudo sob o olhar complacente e os escudos da PM.

Explica-se, dentre os bate-paus do MBL, estava o delegado da PF, Gastão Schefer Neto – o mesmo que quebrou a aparelhagem de Som da Vigília Lula Livre, no início de maio. Morador de Santa Cândida, ele lidera a vizinhança discordante. e deixou-se fotografar pintando no asfalto à entrada do Acampamento Lula Livre: “Bolsonaro, presidente!”, como mostra uma das fotos acima, capturada no Nocaute, o blogue do Fernando de Morais.

Assista ao vídeo das agressões feito pelo pessoal do Acampamento Marisa Letícia:

Não é a primeira vez, e o objetivo é desestabilizar e provocar a retirada da Vigília do local.

Fato é que, além de suporte moral e político ao ex-presidente, a Vigília o canal de acompanhamento não só de seu estado de espírito, mas de suas orientações, através das mensagens trazidas pelos visitantes. Toda segunda e quinta-feiras tem sido assim.

Desobediência civil, sim, mas muito bem-comportada, afinal. Até porque, tem apoio de boa parte dos moradores, que ajudam na sustentação do movimento, desde a instalação da Vigília, na noite de 7 de abril. O revezamento de caravanas egressas de todo o Brasil, e até do exterior, garante o movimento.

Já na sexta-feira, houve ato de desagravo, que incluiu a restituição da pintura do nome de Olga Benário na Esquina Democrática e a leitura do manifesto dos moradores que apoiam a Vigília; reproduzo a seguir, a partir do Brasil de Fato:

“MANIFESTO PELO RESPEITO À DEMOCRACIA

Nós não somos isso!!

Repudiamos todo e qualquer ataque à democracia. Não abrimos mão dos princípios democráticos!

Exigimos respeito ao direito de manifestação, assim como exigimos que os horários de silêncio sejam respeitados.

Alertamos para o uso do nome “Moradores do Santa Cândida” por um pequeno grupo que não nos representa.

Não somos ódio, não somos exclusão. Somos solidariedade, respeito e amor.

Não cobrimos com símbolos de ódio o nome de Olga Benário, que por ser judia foi enviada, grávida, do Brasil para morrer num campo de concentração nazista.

Abrimos nossas portas, nossos braços e nossos corações para aqueles que lutam por justiça social e por igualdade, nestes tempos duros de transição.

Lutamos lado a lado, sem violência, agressividade ou intolerância.

Somos seres humanos convivendo em uma mesma época e local e, sim, isso é possível, independente de raça, credo, religião ou convicções.

Não aceitamos a criminalização da política, somos seres políticos e temos responsabilidades.

Somos democratas, acreditamos na liberdade de expressão e no direito à manifestação.

Não apoiamos os intolerantes: somos contra o fascismo. A intolerância pressupõe que só o próprio ponto de vista é certo, recusa outros modos de ser, pensar, a existência das diferenças.

Pedimos empatia e compreensão, humildade e amorosidade: calçar as sandálias de alguém.

Não somos punitivistas. Não procuramos vinganças.

Temos consciência de que estamos participando de um importante momento da história. Vamos escrever um capítulo do qual nos orgulhemos.

Nós não somos apenas moradores do Santa Cândida. Somos moradores da Regional do Boa Vista: São Lourenço, Bacacheri, Abranches, Atuba, Barreirinha… somos brasileiros, cidadãos do mundo, humanos.

Esta é a nossa maior causa: a humanidade.  Sem justiça, sem ética, sem respeito e honra, a humanidade sucumbe.

Acolhemos a Vigília, os acampamentos e alojamentos e apoiamos aqueles que lutam por dias melhores para todos e todas.

É o mínimo que nossa civilização espera de nós!

De Curitiba para o Brasil, em 15 de junho de 2018.

Vizinhança pela Democracia”

******

PS: Finalmente consigo incluir  imagem do mandato de reintegração de posse da área pública onde está instalada a Vigília Lula Livre. Ontem travou tudo e não consegui subir nem excluir, e nisso entrei madrugada adentro.

Já aconteceu outras vezes, e quando deixo a lógica agir, resolve-se. Pronto, ai está. Aproveito para agregar correções de ortografia e gramática. Com as minhas desculpas.

 

 


3 comentários sobre “Acampamento Lula Livre é de novo ameaçado de remoção judicial

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