A ira santa contra o PT e a escolha de Sofia

boras e bolsos -

por Sulamita Esteliam

Esta velha escriba reconhece: não tem condições de acompanhar, sozinha, a velocidade dos acontecimentos graves desses tempos bicudos, que insistem em nos manter no caos, refletir sobre eles e depois tricotar aqui no blogue.

Assim, tenho me concentrado nas redes sociais, entre uma ou outra atividade doméstica indispensável. E as caminhadas na praia, estas quando possível, que me ajudam a relaxar e a manter a sanidade.

Não, ao contrário do que muita gente imagina, não estou nem estive em qualquer campanha, profissionalmente. Tudo que faço, inclusive o A Tal Mineira,  é trabalho voluntário, militância cidadã.

Afinal, não vivemos, e vencemos, uma ditadura; não recuperamos o direito à democracia, ainda que engatinhante, para assistir de braços cruzados que nos levem o que nos resta de liberdade.

Luto pelo que acredito, como sempre fiz. Gerei e criei quatro frutos assim, sem tergiversar um milímetro. Quem me conhece, sabe de que fibra sou tecida.

Elegemos e reelegemos um governo popular que trouxe ao povo um vislumbre de vida digna durante 12 anos. Um arranhão, o suficiente, entretanto, para atiçar a sanha da casa-grande e seus manietados de plantão.

Chegamos aonde chegamos. Para alguns, é a escolha de Sofia.

Discordo da maioria das avaliações de que Lula e o PT esticaram a corda até o limite, escolhendo o fio da navalha como estratégia político-eleitoral.

Ao PT e a Lula não foi dado o direito à escolha, que não jogar o tudo ou nada.

Jogaram o jogo e levaram as eleições para o segundo turno. Fernando Haddad ficou em segundo lugar na votação, mas deixou bem atrás o terceiro colocado, e o resto.

Mesmo preso e condenado,  sem crime e sem provas, Lula manteve-se líder em todas as sondagens de intenção de votos. E os transferiu em boa parte a seu escolhido, numa velocidade que botou os adversários contra a parede.

Uma façanha eleitoral que é fruto, de um lado a genialidade política de Lula, que endoida seus algozes. De outro, a memória que parcela do povo mantém do quanto suas vidas melhoraram durante os governos do PT.

São os fatos.

E Lula teria ganhado a eleição no primeiro turno, se não tivesse sido bloqueado em seus direitos políticos.  Com fake news, notícias falsas, calúnias, com a máquina de mentiras movida por um exército de robôs, Cambribge Marketing, o diabo a quatro.

Direitos, aliás, reconhecidos inclusive pela ONU, mas ignorados pela nossa Justiça Eleitoral e pela Suprema Corte. Convenientemente parciais, como sempre foram, optam por transformar o Brasil num pária internacional.

São coniventes com a barbárie que vigora. E que agora bate à porta do própria Justiça.

A presidenta do TSE, Rosa Weber, está sendo ameaçada por partidários do coiso. Agora a Polícia Federal entra na dança.

Também agora, beirando a insensatez, o tribunal eleitoral reconhece que as mentiras contra Haddad e Manuela, divulgadas pela campanha do inominável, colocam em risco a lisura do processo eleitoral.

O TSE mandou retirar da propaganda eleitoral e de todas as mídias sociais a mentira sobre o famigerado Kit Gay, que não existiu.

A lembrar que o coiso e seus asseclas disseminam essa calúnia desde 2011.

Falta o Ministério Público tomar ciência e providências sobre a difusão do ódio, do racismo, da apologia ao estupro, à violência contra negros, mulheres e LGBTs.

Quantos vão ter que morrer?

Nesta quarta, enquanto Salvador homenageava mestre Moa do Catendê, em ato que reuniu milhares no Pelourinho, mais uma pessoa, um travesti, era assassinada a facadas, desta vez num bar em São Paulo. Os homicidas antes de fugir, deram vivas a você sabe quem.

A verdade é que  a violência tenta impor pelo medo o que o bom senso e a memória histórica da barbárie nazifascista rejeitam no plano mundial.

Cjornal portuguesontexto tão bem descrito em artigo publicado por um jornal português este fim de semana, como mostra a foto ao lado.

Mais uma manchete internacional a expor a covardia da mídia nativa, a cobrir de vergonha o PIG nacional, se vergonha tivesse: “Um canalha às portas do Planalto”.

Tudo o mais, é piti forçado de gente grosseira do naipe do senador eleito pelo Ceará Cid Gomes (PDT), em coligação com o PT do governador reeleito, Camilo Santana.

Semana passada, logo após o primeiro turno das eleições presidenciais, escrevi aqui que é hora de os democratas mostrarem a cara.

Não foi mero jogo de palavras. Sou velha de guerra, não vidente. Cubro eleições desde 1982, desde as Gerais até as terras pernambucanas, passando pelo Distrito Federal e pelo Ceará.

Convidado a um ato pró-Haddad, em Fortaleza, na noite da segunda, 15 o ex-governador cearense não só desrespeitou a casa anfitriã, ao partir para o ataque despropositado ao PT.

Mostrou a que ponto chegam o oportunismo, a deslealdade e a falta de compromisso com os destinos da nação.

Cospe no prato que comeu, além do mais.

Obviamente que não falou por conta e risco. Mas como eco de uma egolatria familiar, que quem conhece sabe.

Aonde está Ciro Gomes, o macho, que não está aqui somando na Frente Democrática contra o fascismo? Em Portugal, dizem. Cansado, o pobre.

Seus eleitores estão felizes com a atitude escapista de seu candidato num momento de tal gravidade para o Brasil? Quem vai cerrar fileiras em 2022? Só faltam quatro anos…

Alguém precisa dizer para ele, e para o irmão-porta-voz, que seu tempo de palanque individual acabou, por ora. Que não se pode disputar eleição no segundo turno sem ter passado no teste do primeiro. E sua votação não foi suficiente. Fim de papo.

Haddad em plenária na CUT Nacional
Haddad em plenária da CUT Nacional em SP, nesta terça, 16 – Foto: Roberto Parizotti/Agência CUT

Eleições como essa não verás em nenhum país que não este.

Trata-se de um jogo duro, todos nós o sabemos, mas desleal. Mas o jogo é jogado, está em curso, e todo mundo sabe que se joga com a democracia, com o futuro, nessa ordem.

Na verdade, há uma má vontade permanente com o PT, que resiste e a tem superado através dos tempos.  Vem de setores da classe média, particularmente, envenenada pela mídia venal e do meio político-empresarial.

E agora, contaminou os pobres  inconformados em perder a qualidade de vida que experimentaram. Todavia, chutam a bola para o lado errado do campo, arriscando o gol contra.

Há incompreensão, há desinformação, há oportunismo e há irresponsabilidade.

O PT não é um coro de anjos. É feito de gente, com todos os defeitos, e qualidades, humanos. Cometeu erros, sim, como qualquer partido, inclusive no que se refere à economia.

Mas os acertos foram infinita e soberbamente maiores. Para Euzinha, contam especialmente três feitos nunca experimentados, na minha curta e acidentada existência: a redução da miséria e da desigualdade, com programas de combate à fome, valorização do salário mínimo e de acesso a oportunidades; e a recuperação da autoestima dos brasileiros.

Os erros, o partido já os reconheceu em diferentes ocasiões. O próprio Haddad já o fez antes e agora, novamente, durante a campanha.

Mas o PT não inventou a corrupção, antes assegurou meios para combatê-la. A Lava Jato não existiria em governos anteriores, bem o sabemos.

Se uns e outros dos quadros petistas atravessaram, estão pagando por isso. Aliás, pagam até os injustiçados, como José Genoíno e o próprio Lula.

O que pedem ao PT é um haraquiri em praça pública: que assuma ter armado uma quadrilha para assaltar o Estado. O que o partido não fará, por que isso não existe e nunca existiu.

Não cobram o mesmo dos demais partidos que passaram e se locupletaram no poder.

A insistente cobrança de mea culpa tem direção única e exclusiva, é parte da narrativa que há anos tenta desconstruir o partido.

Não tem fundamento,  e muito menos é cabível num momento como este. Quando mais quando sai da boca de quem tem telhado de vidro.

 


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