Pipas gigantes no céu do Recife por #LulaLivre!

por Sulamita Esteliam

Pipas gigantes vão cruzar os céus do Recife nesta sexta-feira, 08 em manifestação lúdica por #LulaLivre. Obra do Coletivo 13 do PT pernambucano, que promove oficina para confeccionar papagaios de toda cor…

Como naquela canção do Beto Guedes, Maria Solidária (1977), gravada também por Milton Nascimento). Vai aí uma palinha, para refrescar a alma.

Cantam o Coral Meninos de Araçuaí e grupo juiz-forano Ponto de Partida, clipado do espetáculo Minas Tão Gerais, que tem Bituca como personagem central (2005):

De volta ao Recife, a oficina acontece a partir das 14:00 horas, no Armazém do Campo, na Martins de Barros, no Antigo. As pipas serão empinadas às 16 horas, no Bairro do Recife.

A atividade, como tantas outras Brasil afora, se dá em apoio ao ex-presidente Lula, sequestrado e preso político na carceragem da Polícia Federal, no Bairro de Santa Cândida, em Curitiba.

E a depender da justiça curitibana, só sai de lá morto. E a gente sabe bem por quê. E já escrevi a respeito ene vezes aqui neste blogue.

Na quarta, a juíza-substituta-temporária do inquisidor Sérgio Moro, ora em plantão no Ministério da Justiça e da Segurança Pública, condenou o ex-presidente a mais 12 anos e 11 meses de prisão. Desta vez, por conta das reformas no Sítio de Atibaia, que não lhe pertence mas ao filho do Jacó Bittar.

Com isso, Gabriela Hardt não só ganha a ribalta, como a história, ainda que pela porta dos fundos. Ah, o poder dos refletores sacode as cabeças, como a biruta dança ao sabor do vento.

Ninguém saberia da existência dessa juíza de primeira instância, se não viesse a suceder, anda que provisoriamente, o homem que colocou na cadeia o melhor presidente da República do Brasil, respeitado no mundo inteiro.

E que, com esse ato de perfeita indignidade, garantiu um posto no governo que não se corporificaria caso tivesse enfrentado Lula nas urnas.

Uma sentença anunciada, pois que parte do longo processo de perseguição política que visa manter Lula invisível. Se pudessem, o dissolveriam, comentei ontem nas redes sociais.

Apartheid político para assegurar o apartheid social.

Crueldade para empanar o desmantelamento do País e os malfeitos que assolam desgoverno e a primeira família. tudo junto e misturado. E não é por acaso.

Uma sentença risível, se não traduzisse o avesso do nosso sistema de Justiça: sem provas, sem ato de ofício vinculado ao pretenso recebimento de vantagens indevidas, sem eira nem beira.

“Lula é investigado há 40 anos. Se a justiça tivesse trazido a público uma mala de dinheiro, uma nota, algum ato dele, algo concreto que provasse que ele contrariou o interesse nacional em proveito de alguém, ninguém estaria aqui hoje.”

Palavras de Fernando Haddad, que substituiu Lula como candidato do PT à Presidência da República nas últimas eleições, e que também atuou como advogado do ex-presidente.

Ele lembra que a luta pela liberdade de Lula não pode ser dissociada da luta pela democracia no país, da defesa dos direitos do povo brasileiro.

Até personagem-delator multiplicado por dois tem a sentença,  a revelar que a meretíssima  Hardt- olha que o dedo médio ameaça saltar no teclado… -, sequer, se deu ao trabalho de ler o que seus assessores escreveram.

Leia a nota da defesa de Lula a respeito ao pé da postagem; traz boa e necessária síntese.

Ontem resolvi passar ao largo da notícia. Há dias em que procuro poupar meu fígado, corroído não apenas pelo álcool nosso de cada dia – na verdade está em perfeito estado, o que assemelha-se a um milagre -, mas pela indignação perene.

Hoje, nas redes sociais, resgatei o poema Invictus, que o britânico Williams Ernesto Henley escreveu em 1875 e que o A Tal Mineira já publicou alguns versos quando da celebração dos 100 anos de Nelson Mandela e 100 dias da prisão de Lula e o poema inteiro, quando da passagem de Mandela

Para mim, traduz a força que, eu tenho certeza, habita Lula – e o testemunho de quem o visita corrobora -, assim como nutriu Mandela. Reproduzo o último verso:

“(…)

It matters not how strait the gate,
How charged with punishment the scroll,
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul. 

Não importa quão estreito o portão
Quão repleta de castigo a sentença,
Eu sou o senhor de meu destino
Eu sou o capitão de minha alma.”

Mandela, Nobel da Paz em 1993, usou este poema como elixir diário da resistência ao longo de seus 27 anos de prisão política. Obra do apartheid na África do Sul.

O paralelo com Lula é inevitável – até na possibilidade de Lula vir a ser Prêmio Nobel da Paz, por sua obra de enfrentamento da forme e da miséria.

E o que essa raça que desgoverna as instituições do Brasil está conseguindo é transformar Lula num novo Mandiba. Como, aliás, prenunciei há mais de dois anos, também neste blogue.

Resgato a fala de um personagem querido da gente Recifense: Frei Aloízio Fragoso. Ele foi impedido de visitar Lula na PF em Curitiba, no mês passado.

Atravessou seis estados para levar palavras de consolo ao líder popular. Justo quando deveria acontecer o encontro, nova ordem judicial suspendeu as visitas religiosas, que habitualmente se davam às segundas-feiras. Ele escreveu:

“(…) quando Lula parece fraco, em sua fraqueza habitam a força do povo, a chama ardente de um sonho, a semente de um Projeto Político Popular, capaz de devolver ao povo o protagonismo da sua história. Daí cada nova medida de força só aumenta o seu tamanho, só dilata a paixão dos que acreditam na sua liderança, no poder deste sonho, desta semente.”  – clique para ler a íntegra do texto.

Em texto anterior, Frei Aloísio narra a experiência de participar da Vigília Lula Livre e, com sua sensibilidade aguçada, capta a luz que alimenta a resistência, na ocasião há 284 dias; agora há mais de 300 dias:

“É preciso ter a paciência histórica de esperar a hora e o dia determinados  pelo Senhor da História. A nossa força se irradia para além das fronteiras do país e do mundo. E carregamos em nós as energias de todos vocês que se sentem irmanados conosco.”

O Recife é uma das cidades que realizam atos em defesa da liberdade de Lula nesta sexta. As outras são Vitória (ES), Campo Grande (MS), Campina Grande (PB) e Aracaju (SE). 

A maioria das capitais promoveu manifestações neste dia 7, quando se contam 10 meses da prisão do ex-presidente Lula. Dentre elas, Belo Horizonte (MG), São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Porto Alegre, Cuiabá (MT), Florianópolis (SC) e Palmas (RS).

No sábado é a vez de Maceió (AL), Macapá (AP), Ribeirão Preto e São José dos Campos (SP), Uberlândia (MG). Clique para saber hora e local.

Em Curitiba também houve ato por Lula Livre, com a presença dos senadores Jaques Wagner(PT_BA) e Humberto Costa (`PT-PE). Ambos visitaram o ex-presidente e relataram à militância presente que Lula segue “indignado e firme, consciente dos motivos pelos quais está preso”.

Assista ao vídeo gravado na Vigília Lula Livre:

 

Nota da defesa de Lula sobre a condenação no caso Atibaia

A defesa do ex-presidente Lula recorrerá de mais uma decisão condenatória proferida hoje (06/02/2019) pela 13ª. Justiça Federal de Curitiba que atenta aos mais basilares parâmetros jurídicos e reforça o uso perverso das leis e dos procedimentos jurídicos para fins de perseguição política, prática que reputamos como “lawfare”.

A sentença segue a mesma linha da sentença proferida pelo ex-juiz Sérgio Moro, que condenou Lula sem ele ter praticado qualquer ato de ofício vinculado ao recebimento de vantagens indevidas, vale dizer, sem ter praticado o crime de corrupção que lhe foi imputado. Uma vez mais a Justiça Federal de Curitiba atribuiu responsabilidade criminal ao ex-presidente tendo por base uma acusação que envolve um imóvel do qual ele não é o proprietário, um “caixa geral” e outras narrativas acusatórias referenciadas apenas por delatores generosamente beneficiados.

A decisão desconsiderou as provas de inocência apresentadas pela Defesa de Lula nas 1.643 páginas das alegações finais protocoladas há menos de um mês (07/01/2019) — com exaustivo exame dos 101 depoimentos prestados no curso da ação penal, laudos técnicos e documentos anexados aos autos. Chega-se ao ponto de a sentença rebater genericamente a argumentação da defesa de Lula fazendo referência a “depoimentos prestados por colaboradores e co-réus Leo Pinheiro e José Adelmário” (p. 114), como se fossem pessoas diferentes, o que evidencia o distanciamento dos fundamentos apresentados na sentença da realidade.

Ainda para evidenciar o absurdo da nova sentença condenatória, registra-se que:

– Lula foi condenado pelo “pelo recebimento de R$ 700 mil em vantagens indevidas da Odebrecht” mesmo a defesa tendo comprovado, por meio de laudo pericial elaborado a partir da análise do próprio sistema de contabilidade paralelo da Odebrecht, que tal valor foi sacado em proveito de um dos principais executivos do grupo Odebrecht (presidente do Conselho de Administração); esse documento técnico (elaborado por auditor e perito com responsabilidade legal sobre o seu conteúdo) e comprovado por documentos do próprio sistema da Odebrecht foi descartado sob o censurável fundamento de que “esta é uma análise contratada por parte da ação penal, buscando corroborar a tese defensiva” — como se toda demonstração técnica apresentada no processo pela defesa não tivesse valor probatório;

– Lula foi condenado pelo crime de corrupção passiva por afirmado “recebimento de R$ 170 mil em vantagens indevidas da OAS” no ano de 2014 quando ele não exercia qualquer função pública e, a despeito do reconhecimento, já exposto, de que não foi identificado pela sentença qualquer ato de ofício praticado pelo ex-presidente em benefício das empreiteiras envolvidas no processo;

– foi aplicada a Lula, uma vez mais, uma pena fora de qualquer parâmetro das penas já aplicadas no âmbito da própria Operação Lava Jato — que segundo julgamento do TRF4 realizado em 2016, não precisa seguir as “regras gerais” — mediante fundamentação retórica e sem a observância dos padrões legalmente estabelecidos.

Em 2016 a defesa demonstrou perante o Comitê de Direitos Humanos da ONU a ocorrência de grosseiras violações às garantais fundamentais, inclusive no tocante à ausência de um julgamento justo, imparcial e independente. O conteúdo da sentença condenatória proferida hoje somente confirma essa situação e por isso será levada ao conhecimento do Comitê, que poderá julgar o comunicado ainda neste ano — e eventualmente auxiliar o país a restabelecer os direitos de Lula.

Cristiano Zanin Martins

 

 

 


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