O 25 de Março e suas tragédias urbanas e ambientais

Luto, tristezas e incertezas traduzem a vida em Brumadinho depois do genocídio da Vale – Foto: Marcelo Cruz/AgBR
por Sulamita Esteliam

Dois meses do genocídio da Vale, 214 mortos identificados, mais 91 vítimas não localizadas, buscas encerradas sob chuvas de flores dos valentes Bombeiros das Gerais.

Sessenta dias de impunidade, catalogados pelo MAB – Movimento dos Atingidos por Barragens.

No Brasil de Fato, reportagem traz o inventário do desastre e do sofrimento de quem precisa tocar a vida sob “luto, tristeza e incertezas”, como traduz à perfeição a foto do Marcelo Cruz que abre esta postagem.

“Uma região afetada pela falta de abastecimento de água tratada, moradores apresentando adoecimentos físicos e sofrimentos mentais, e um luto que não tem fim. Essa é a situação na qual se encontra a cidade de Brumadinho e comunidades vizinhas, exatamente dois meses após o rompimento da barragem da Vale, no Córrego do Feijão.”

Vidas interrompidas, cidade desmantelada, sobreviventes ao deus dará. Quanto a mineradora, segue, impune, sua trajetória de destruição: em Barão de Cocais, duas mil pessoas estão ameaçadas por outra barragem da Vale, sob risco máximo de rompimento.

E as concessões seguem impávidas. Afinal, de estado minerador se trata. As vidas, ora, ninguém nasce para semente. Só o dinheiro brota do chão, importa tanto que se multiplica, para os mesmos, de sempre.

Aqui no Recife, está concluído o “despejo judicial“, a pedido da prefeitura, sob a pecha de risco para os moradores – que é apontado desde a década de 90.

Um prédio inteiro, capaz de abrigar 3 mil pessoas, em Boa Viagem, na Zona Sul, o metro quadrado mais caro da cidade, segundo as incorporadoras e administradoras de imóveis. A quem interessa?

Agora é a vez do Cais José Estelita, de novo entregue de mãos beijadas pela Prefeitura da Cidade para a especulação imobiliária.

A despeito de uma dezena de ações que tentam barrar o processo, mas que não andam na esteira judicial emperrada.

Neste 25 de março, os armazéns começaram a ser demolidos para plantar espigões onde não cabem o Zé e a Maria Povinho. Sob protestos de ativistas do movimento #ocupeestelita e do Ministério Público.

O Marco Zero Conteúdo, sítio de Jornalismo independente acompanha a história de perto e a traduz com a narrativa devida:

“O secretário João Braga ressuscitou o processo da licença de demolição de 2014, que havia parado porque necessitava da documentação do Iphan. Era para ter sido arquivado e a construtora ter entrado então com novo processo para conseguir a liberação”, criticou o ativista Leonardo Cisneiros, afirmando que pretende entrar com uma ação de improbidade administrativa contra João Braga.”

PS: A segundona foi muito pesada, me revirou do avesso, e não consegui produzir o necessário. Amanhã é outro dia e trarei o relato e as fotos do lançamento do “Em Nome da Filha” no Recife e suas repercussões.

Buenas!


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