Em São Paulo, às voltas com a agenda e de mãos dadas com o inesperado…

por Sulamita Esteliam

Caetano já escreveu que “São Paulo é como um mundo novo…” e, se não nos perdemos, é sempre bom lembrar o quanto a megalópole pode ser imprevisível.

Pudemos experimentar isso na pele no lançamento do meu livro Em Nome da Filha, no Barão de Itararé. Alguns poucos parentes e amigxs foram nos prestigiar, e a estes minha gratidão.

Não esperava muita gente, na verdade; com a cidade sob chuva, coalhada de eventos para todos os lados, de ressaca cívica pós-15 de Maio, onde os seres da bolha em que me insiro estavam, e acredito, estão sempre tomados de compromissos.

Todavia, muitas pessoas que confirmaram presença não puderam comparecer por justos e diferentes motivos, e se justificaram. É da lei. O inesperado está sempre a postos para surpresas – boas e ruins.

Não obstantes, senti-me acolhida e, obviamente, avexada a um só tempo, devo confessar. 

A mídia, mesmo a alternativa, não deu a menor bola. E olha que São Paulo experimenta o retorno de índices em crescimento de assassinato de mulheres, de feminicídio, mais do que qualquer outro tipo de assassinato.

De toda forma, valeu a oportunidade de rever gente querida e fazer novos contatos – e foram pródigos, obrigada. Sem mágoas estamos aí, e seguimos adiante.

Antes, torno ao Recife, porque estou prenha de saudades e na minha casa está faltando alguém, e este alguém sou Euzinha.

E aqui, aproveito para agradecer a generosidade do Barão de Itararé, que colocou suas instalações e serviços à nossa disposição. Inclusive pela carona no seminário sobre Comunicação e Previdência, no dia seguinte.

Obrigada, sobretudo, ao Miro/Altamiro Borges, Danielle – sempre eficiente e delicada -, Felipe Biancchi, colega jornalista-faz-tudo, simpatia em pessoa.

Valeu demais.

Muito obrigada ao querido coleguinha, Ismael dos Anjos, primo-sobrinho e sua amada Juliana, por desafiarem o tempo para se fazerem presentes junto com o pequeno e adorável Cisco-Francisco, com febre e tudo.

Por conta disso, a mãe se retirou antes do começo a bem da saúde do garoto, e por isso não estão nas fotos com que Ismael me/nos presenteia.

Agradeço muitíssimo a sempre generosa acolhida da amiga-irmã Reiko Miúra, que hospedou a mim e ao maridão em seu aconchegante lar. Obrigada também pelo empenho na divulgação.

Obrigada, também, Rachel Moreno, que se dispôs a apresentar a obra e comandou a roda de conversa sobre a temática do livro no lançamento.  

Além disso, Rachel propiciou espaço no programa que ela comanda na Rádio Cidadã FM – 87,5, no Butantã, na manhã seguinte ao lançamento.  Confira o trecho da minha participação:

Trouxemos chuva para Sampa, e experimentamos a história de três temperaturas diferentes ao longo do dia. Dias movidos a frio, sol, calor, chuva, friozinho, vento, garoa, frio… Lembrei-me dos meus tempos de criança e adolescência por aqui…

Soubemos, também, o que é a cidade movida a protesto. Fomos, Euzinha e o maridão, mais dois em meio a multidão que tomou boa parte da Paulista no 15 de Maio em defesa da educação e contra o desmonte da Previdência.

Uma manifestação para lavar a alma e reaquecer a esperança, e que superou e muito a casa do milhão Brasil afora. Melhor, a juventude no comando, formando a maioria álacre e determinada. A mente esperta, criativa, e plugada no que interessa. 

Um tsunami que precisa ser multiplicado ene vezes até demolir o bloqueio à cidadania que se impôs ao país através da manipulação de consciências e vontades.

Percorremos cerca de 10 quilômetros no dia da manifestação, antes e depois que acompanhamos a passeata que saiu da Paulista e desaguou no largo em frente à Alesp – o Legislativo de São Paulo.

O metrô, apinhado, tinha ficado distante, aplicativos sem disponibilidade, os ônibus nem pensar, quilômetros de engarrafamentos. E queríamos participar do Boa-Noite, presidente Lula, no Largo da Batata, promovido pelo Coletivo Resistência.

Tinha quase ninguém, mas conhecemos mulheres de boa cepa, que emprestam seu talento e amor pela humanidade em causas pelas periferias paulistanas.

Aliás, as mulheres estão em todas, e formam maioria qualificada nos atos em defesa da liberdade, da vida e da democracia. Mulheres e juventude juntas hão de vencer o obscurantismo.

Exemplo disso, o coletivo Linhas de Sampa, a exemplo do Linhas do Horizonte na minha Macondo Beagá, dá demonstrações tocantes de ativismo solidário. Bordam pela democracia, por direitos, pela vida e pela liberdade. Estão em todos os atos pela cidade.

Estavam no #15M, estavam no Ato Antimanicominial, na Alesp, no dia 16, e na Virada Antimaniominial, dia 17, em frente ao Instituto Moreira Salles, na Paulista. Admiravelmente incansáveis.

Trabalho, felizmente, reconhecido. O coordenador da Frente Antimanicominial em São Paulo, Moacyr Neto, dá testemunho disso, em mensagem que minha amiga-irmã Reiko Miúra, que integra o Linhas de Sampa, partilhou com o A Tal Mineira: 

– Espero que tenham gostado do ato.Todas e todos que conversei adoraram o trabalho e militância de vocês. Queria colocar minha admiração pelo trabalho de vocês. E o orgulho de estarem no ato de hoje.Ninguém larga a mão de ninguém! Vamos tirar o Manicômio da Presidência!Por uma Democracia Antimanicomial!!

A resposta de Reiko:

– Foi muito bom. Acho que todos aprendemos alguma coisa que nos fortalece e que nos possibilita a continuar lutando, sempre em busca da Utopia. Quero, em especial, demonstra o meu respeito aos profissionais da saúde que dedicam a vida, na busca de opções para melhorar a qualidade de vida de uma parcela da população tão desprotegida. Penso estar exprimindo o pensamento do Coletivo. Obrigada, estaremos juntos mais vezes. Ninguém Larga a Mão de Ninguém

Olha só que linda escultura, trabalho coletivo em homenagem a Arthur Bispo do Rosário. Recebeu o nome de Além dos 21 Veleiros. Criação do artista plástico Valter Nu, junto com usuários do CAPS AD do Bairro do Grajaú. Foi instalada durante o ato na entrada da Assembleia Legislativa de São Paulo.

‘Além dos 21 Veleiros’ escultura instalada em frente a Alesp – foto: Reiko Miura

Nossa estada teve direito ainda a almoços em família e visita hospitalar. Esta cidade, afinal, da qual fugimos de morar, por decisão de habitar outras plagas, não nos é tão estranha assim…

Fechamos com a Virada Cultural paulista. Um espetáculo de multiculturalidade espalhado por dezenas de palcos na São Paulo desvairada e única – apesar dos governantes.

No palco Copam, Zélia Duncan e Tetê Espíndola quebram todas em homenagem ao mestre Itamar Assumpção que faria 70 anos se não já não estivesse encantado:

Nos divertimos a valer. Obrigada, São Paulo. A gente se vê brevemente.

 

 

 


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