Para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça

Recife, presente! – Foto: GGN
por Sulamita Esteliam

Esta semana rememora-se a luta pela anistia no Brasil,que resultou na Lei 6.683, promulgada em 28 de agosto de 1979. Fruto de árduas batalhas e ampla mobilização social.

Orgulho-me de ter militado nesta causa, ainda estudante universitária.

Trata-se de uma conquista pela metade, não obstante. Pois que se anistiou também torturadores e assassinos de opositores do regime, chaga que não cicatriza e permanece como ameaça sobre nossas cabeças no arremedo de democracia em que nos (des) equilibramos.

A última semana de agosto é dedicada, mundialmente, a homenagear vítimas do desaparecimento forçado por razões políticas, promovido pelo Estado. No Brasil não é diferente.

Aqui no Recife, por exemplo, há anos se desenvolve uma série de atividades para homenagear os sobreviventes da luta contra o arbítrio e àqueles e aquelas que tombaram pelo caminho.

Nesta segunda, jovens depositaram flores nos marcos com nome das vítimas da ditadura, no Monumento Tortura Nunca Mais, na Rua da Aurora.

É a capital pernambucana dizendo presente na campanha nacional Flores pelas Vítimas da Violência do Estado., que se espalha pelo Brasil, com aval de gente como Chico Buarque, sempre ativo.

Flores são vozes do silêncio, lembra a campanha criada pela Vigília Vozes do Silêncio. Estimula que se deposite flores nos monumentos alusivos aos mortos e desaparecidos políticos, como gesto solidário à dor de vítimas e familiares.

Ainda no Recife, uma sessão solene na Assembleia Legislativa de Pernambuco, nesta segunda, entregou às famílias o atestado de óbito retificado de vítimas como Fernando Santa Cruz, Luiz Almeida de Araújo e Adauto Freire, dentre outros.

Um ato político importante, no momento em que a violência torna a ser política de Estado. Eugênia Gonzaga, ex-presidenta da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, esteve presente.

A família de Fernando Santa Cruz, se fez representar à mesa por Marcelo Santa Cruz, irmão de Fernando e tio do atual presidente da OAB Nacional, Felipe Santa Cruz.

Recentemente, o pai de Felipe teve sua memória aviltada pelo capiroto que ocupa a Presidência da República. Uma agressão que ofende a todos de memória e bom senso.

A truculência verbal é parte da usina de absurdos que caracteriza esse desgoverno e nos envergonha mundo afora, cotidianamente.

A VIII Semana de Luta pela Conquista da Anistia aqui no Recife é promovida pelo Centro Cultural Manoel Lisboa e tem vasta programação. Este ano a abertura se deu com Colóquio sobre Mídia e Censura na Ditadura, com a presença do colega Luis Nassif, no Armazém do Campo.

Com direito a Sarau do GGN, chorinho em abundância com o próprio Nassif e outros bandolinistas da terra. Euzinha passei batida, uma pena!

Eis a programação local para o restante da semana:

Quarta-feira, 28, 9h: aposição de placas de Jonas José, Ivan Aguiar, Ranusia Rodrigues, Selma bandeira e Carlúcio Castanha na Calçada da História, Praça Padre Henrique, Rua da Aurora, onde fica o Monumento Tortura Nunca Mais.

Sexta-feira, 30 (horário não informado): Dia do Desaparecido Político – Auditório Dom Hélder Câmara, Bloco A da Unicap

 

 

 


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