Mortes por Covid-19 em três dias varreriam do mapa 2,5 mil municípios brasileiros

por Sulamita Esteliam

O Brasil é mesmo o país do meu Deus, o que é isso!? Com 12.334 mortes por Covid-19 acumuladas em três dias, e recordes sucessivos de passagens a dar canseira no barqueiro de Creonte, a Suprema Corte teve que parar tudo dois dias para referendar a própria decisão de há menos de um ano.

Como diz o Aloísio Morais, um jornalista amigo meu, “se contar, ninguém acredita”!

Pois então, agora está sacramentado: por nove votos a dois fica reestabelecido que prefeitos têm autonomia constitucional, sim, para definir quarentena nas atividades gerais.

Tudo, porque um ministro “terrivelmente evangélico” resolver ignorar o pico da pandemia para apoiar as ideias genocidas do homem que desgoverna o Brasil, e que o indicou para o cargo.</p>

Reze na cama, meu povo, que é lugar quente. Deus escuta do mesmo jeito. Está certo que lá em Mateus:20 está que escrito que é “onde estiverem dois ou três em seu nome (o do Pai), aí estarei no meio deles.” Mas não se esqueça que Ele é amor e compreensão.

Pesquisei e fiz as contas: nesses três dias a “dona da foice” ceifou o equivalente a 2.404 municípios com até 10 mil habitantes e mais alguns da faixa até 12.500 moradores deste Brasil varonil.

Inspirei-me na observação apropriada do querido mestre Paulinho Saturnino de que “os exemplos aquecem a frieza dos números”. Na manhã da quarta-feira, ainda sob o impacto de 4.195 mortes contadas nas 24 horas anteriores, ele observou nas redes (transcrevo do zap-zap):

“Vejo na #GloboNews que as mortes pelo Covid19 nas últimas 24hs representaria a extinção populacional de 940 municípios brasileiros, a escolher.

Sabe aquela cidadezinha charmosa que te seduz nos feriados? Já era. E aquela outra histórica e simpática, que nos leva em devaneio ao passado? Virou cidade fantasma. A encantadora cidade de onde vieram meus pais? Xiii… sumiu.

O coronavírus se fez tornado, e vai extinguindo lugares. Por enquanto, só fiz uma representação imaginária, mas o negacionismo ambiciona fazer disso um fato. Em defesa da economia.”

Tudo isso e muito mais, quando as notícias são de que falta oxigênio nos hospitais de pelo menos mil municípios deste país, onde a recomendação presidencial é de que não se deve chorar o leite derramado.

Para ele, 345.025 mil vidas que se perdem, assim, no espaço de pouco mais de um ano, é “mi-mi-mi”. Histórias que se encerram, gente que se vai para nunca mais é nada mais do que perda de insumos para leite condensado.

Não bastasse, o cumprimento dos ritos não faz mais sentido. Senadores coletaram para além do número devido de assinaturas para requerer a instalação de CPI – Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar a atuação do desgoverno no caso da pandemia. Sobram motivos.

Pois o presidente do Senado, e do Congresso, senhor Eduardo Azevedo, o ungido, avisou que só cumpre o rito, por determinação do Supremo.

Pois ela chegou, nesta quarta, e da pena liminar do ministro Roberto Barroso. Vai ter que ter CPI, sim.

Não é a primeira vez que acontece. E depois reclamam que o Judiciário interfere na autonomia do Legislativo.

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Foto: ato em homenagem aos mortos por Covid-19 na Praia de Copacapana, Rio de Janeiro: ONG pela Paz/Revista Fórum

Fontes requeridas

Brasil de Fato

STF decide que estados e municípios podem proibir cultos e missas na pandemia

Jornal GGN

Barroso determina que abertura de CPI da Covid-19

Revista Fórum

Brasil supera pior marca da pandemia e registra mais de 4.200 mortes por Covid em 24hs

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