Quem diz que o Brasil não tem pena de morte!?

por Sulamita Esteliam

Leio no Vi O Mundo, e depois confiro no Twitter, que o Sleeping Giants Brasil faz campanha para tirar patrocinadores de SiKêra Jr, um desses apresentadores que vivem de explorar e estimular a violência que pretensamente combatem.

O tal comanda programa do gênero na Rede TV. Nesta segunda, 28 de Junho, dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, é importante relembrar a pérola que é cuspida da sua bocarra: “Já pensou ter um filho viado e não poder matar?”

Homofobia é crime, transfobia é crime também. E o mínimo que deveria acontecer é a retirada do programa do ar. Com a palavra o Ministério Público Federal.

Não foi a primeira vez, e não será a última enquanto permanecer no ar, à revelia da lei. Pois Televisão, e rádio também, são concessões públicas.

A esse tipo de programa, deve-se creditar, por exemplo, um adolescente atear fogo em uma mulher transgênero, negra e moradora de rua, como aconteceu no Recife, no Dia de São João.

A moça Roberta, 33 anos, teve 40% do corpo queimado, permanece em estado grave na UTI do setor de Queimados do  Hospital da Restauração. Teve o braço esquerdo amputado em consequência das queimaduras, e o braço direito também está seriamente comprometido.

Bom não esquecer que o Brasil é o país que mais mata pessoas trans e travestis no mundo. E Pernambuco ocupa o nada honroso sexto lugar. Só este ano já foram 13 assassinatos de pessoas LGBTQIA+ até maio.

É inaceitável. E houve protesto nesta segunda no Recife.

O Sleeping Giants foca na retirada de publicidade – o termo, horroroso, é desmonetizar – sites que pregam ódio e ameaçam a democracia. 

É por essas e outras, como a fala e o programa do Sikêra que o país se tornou uma pocilga, cada vez mais nojenta.

Apoiador remunerado do inominável, faturou a bagatela de R$ 210 mil reais para louvá-lo em rede nacional. Pago com dinheiro público – o seu, o meu, no nosso dinheirinho suado.

De um lado, a mídia comercial não questiona a execução de pessoas com 38 tiros, como foi a de Lázaro Barbosa nesta manhã, em Goiás. De outro, esse tipo de programa celebra e incentiva a barbárie.

Reflete a atitude do exército de policiais que durante 20 dias andou em círculos atrás do homem acusado de ser um serial Killer. 

Quem conhece o modus operandi da polícia, não se surpreende. Era previsível que o executariam. Não fosse no “confronto”, 1 x 270, seria no pau de arara, que ainda funciona nas delegacias e cadeiras do Brasil profundo e obscuro.

Hoje é o maníaco assassino, amanhã é o trabalhador desgraçado pela vida cruel, morador da favela, preto e pobre. Se além de tudo for LGBTQIA+, então, está condenado. E sempre é “por troca de tiros”. 

Lázaro era psicopata perigoso. Tal e qual o que tem assento no Palácio do Planalto.

Num país comandado por um genocida e achacado pela milícia, fardada, inclusive, muita gente bate palma, e a mídia passa ao largo de condenar a atrocidade.

Olho por olho, dente por dente. E nem precisa ser real, torna-se fato. Destroem-se provas, atropelam direitos humanos, burla-se a lei, viola-se a democracia, e fica por isso mesmo? A polícia há de ter razão.

Lázaro, um homem de 32 anos, foragido da prisão, teria matado uma família inteira de sitiantes: marido e dois filhos no local. A mulher ele levou consigo, ficou com ela três dias, depois a matou a beira de um rio, com um tiro na nuca.

O corpo foi encontrado nu, e nenhum veículo de imprensa levantou, sequer, a hipótese de que certamente foi estuprada, seguidamente, antes da execução. Merecia morrer? 

Tem o Estado o poder de vida e morte sobre aqueles, bons ou maus, que deveria guiar?

E quem deixa morrer meio milhão e lá se vai mais de uma dezena de cidadãos e cidadãs cuja proteção é sua responsabilidade, merece o quê?

Ninguém pergunta a serviço de quem o agora defunto agia. Será que vão investigar o fazendeiro que lhe deu guarida por cinco dias? Diz-se que ele não agia sozinho, quem eram seus parceiros?

Será que vão investigar e responsabilizar os policiais que torturaram testemunhas, depredaram terreiros, desrespeitaram lugares sagrados, enquanto tateavam às cegas na captura do acusado?

Não seria Lázaro um espécie de jagunço que pressionava sitiantes por interesses do latifúndio?

Seu assassinato lembra a execução de Adriano Nóbrega, o miliciano amigo da família presidencial, ano passado: queima de arquivo.

Depois dizem que no Brasil não há pena de morte!

Fecho com o vídeo produzido pela TV UFMG sobre o 28 de Junho e o Orgulho LGBTQIA+, que repostei no canal A Tal Mineira TV no Youtube e também no IGVT:

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Fontes requisitadas

Vi o Mundo

Sleeping Giants faz campanha para tirar patrocinadores de Sikêra

Marco Zero Conteúdo

Protesto contra transfobia marca Dia do Orgulho LGBGTQIA+ 

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Postagem revista e atualizada em 29.06.2021, às 11:23h: correção de erros de digitação e gramática. Inclusão de frases que reforçam o conteúdo.

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