Os operadores do golpe têm nome e roteiro

por Sulamita Esteliam

Para começar a semana de trabalho – estamos com restrições de internet -, o A Tal Mineira transcreve artigo do colega Fernando Brito, do Tijolaço. Trata da armação do golpe em curso contra o mandato legítimo da presidenta Dilma, com o auxílio luxuoso do Judiciário e do Legislativo, e empenho mal-disfarçado da mídia venal. Escreve a partir de matéria publicada pelo insuspeito Valor Econômico.

O bom é que dá nome aos bois. E é preciso dar nome à boiada para que todo o mundo saiba quem são os golpistas de plantão. Quem sabe assim se envergonham?

A propósito, vale à pena ler, também, artigo de Aldo Fornazieri, professor da Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Está publicado no Jornal GGN, do Luis Nassif. O tema é o mesmo.

Para não dizer que golpismo é fantasma que assombra petistas e blogueiros “sujos”, tidos como chapa-branca.

“Valor” publica roteiro do golpe parlamentar que “não existe”, segundo a mídia

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por Fernando Brito – Tijolaço

 

Texto de Andrea Jubé, na edição de hoje do Valor Econômico (restrito a assinantes), acaba de rasgar a fantasia e dá feições concretas ao movimento que se articula na Câmara para a tentativa de abertura de um processo de impeachment contra Dilma Rouseff, que o Estadão já deixou claro, ontem à noite, quando noticiou os preparativos de Eduardo Cunha para “tirar o atraso” de 13 anos e votar todas as contas presidenciais pendentes desde os anos 90 para “limpar” as aparências do açodamento que imporão ao relatório do Tribunal de Contas da União.

Diz a reportagem que a eventual recondução de Rodrigo Janot, o procurador geral que pediu a abertura de inquéritos contra os presidentes da Câmara e do Senado, Cunha e Renan Calheiros, será o ponto de explosão de uma bomba cuidadosamente armada:

“Se Dilma reconduzir Janot, “comprará mais briga com a Casa”, disse ao Valor um político com 20 anos de parlamento. O procurador-geral ganhou a antipatia dos parlamentares depois de abrir inquéritos e oferecer denúncias contra 49 políticos, incluindo 13 senadores, 22 deputados, ex-ministros e os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), e do Senado, Renan Calheiros (AL), ambos do PMDB. O rol de investigados contempla parlamentares de todas os matizes, do PT, PMDB, PP, PSB, PTB e até PSDB.

Segundo o jornal, há um roteiro e um calendário traçados entre partidários do impeachment. O primeiro passo é o julgamento das “pedaladas” fiscais no TCU, previsto para os dias 5 ou 12 de agosto. Em seguida, há novos protestos de rua contra o governo convocados nas redes sociais para 16 de agosto. Na segunda quinzena de agosto, o parecer sobre as contas chega ao Congresso. No dia 17 de setembro, termina o mandato de Janot e o novo procurador-geral é anunciado.”

Coincidentemente, a Câmara desarquiva e põe em votação um projeto que estabelece tudo o que o Tribunal de Contas não quer: o controle externo de suas próprias contas, algo em que qualquer um pode facilmente identificar um mecanismo de pressão sobre o resultado da análise das contas do Governo.

O Brasil tem uma democracia tão sui-generis que o roteiro de um golpe político e uma manipulação para impedir uma ação judicial conta dois parlamentares diretamente acusados de receber propinas é publicado nos jornais e a única atitude das instituições de Estado é ajudar que tudo se realize conforme o planejado.

Não, não há um golpe em processo, tanto que Aécio Neves chama de “factoide” qualquer conversa sobre isso,  mesmo que a reportagem do Valor já noticie as listas de votação de algo que sequer foi levado à Câmara e, pior, uma mate´ria de natureza técnica, a apreciação de contas.

Tanto que podemos, enquanto isso, ficar brincando de “republicanismo” e outras “sutilezas democráticas”, enquanto se preparam para demolir a principal intituição da democracia: o voto da população.

 


Um comentário sobre “Os operadores do golpe têm nome e roteiro

  1. Essa matéria é, na verdade, um manifestado PARTIDÁRIO a favor do PT. Não há porque em se falar em “um golpe”. As instituições estão funcionando. A oposição não domina as forças armadas. Os indícios fáticos levantados pelo TCU e pela PF precisam ser investigados. Caso se confirmem, haverá, sim, SOBEJAS PROVAS E RAZÕES para atacar JURIDICAMENTE os CRIMES que, em tese, teriam sido cometidos pelo Lula, pela Dilma e pelo PT.
    Somente governistas ALIENADOS chamariam a atuação das instituições (o STF, o STJ, o STE e o TCU têm MAIORIA de ministros indicados pela Dilma e pelo PT).
    Por que tanto medo? Aliás, esse exagero irrita até mesmo a quem votou em Lula e Dilma. Sejamos mais inteligentes e menos fanáticos.

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