Lula, Dilma e o povo: sem medo de ser feliz, apesar de…

lula_escudo_ricardo-stuckert_ilpor Sulamita Esteliam

Há pouco mais de dois anos escrevi que Ninguém fica imune à presença de Lula. Contava da experiência de estar no mesmo elevador que o ex-presidente da República, receber dele um abraço, e ficar absolutamente estática – ainda que não fosse a primeira vez que estivemos frente a frente.

Deu-se em São Paulo, durante o Encontro de Blogueiros “sujos” de 2014.

Creio que fui tímida igualmente na observação. Na verdade, o povo “enlouquece” diante de Lula. É mais do que amor, é possessão, veneração, ou quase… É como se quisessem dizer, Lula é nosso, e ninguém tasca.

E ele se entrega com prazer orgástico a esse idílio apaixonado, que reúne política e identidade, tudo junto e misturado. Empatia.

É a diferença que faz um líder popular. Exercício do populismo, no bom sentido: simpatia com o povo mais simples.

 

Muita gente fica possessa com esta verdade irretocável – por inveja, incompetência ou medo, ou tudo isso junto.

Aí está, certamente, o motor da caçada policial, jurídica e midiática a Lula. É por isso que o querem na cadeia, senão coisa pior.

Mas, como mostra a foto de Ricardo Stuckert, do Instituto Lula, que abre a postagem, capturada no meio do povaréu, em Barbalha: o povo é o maior escudo de Lula.

Na concentração na Câmara Municipal do Recife, nos domínios do Parque 13 de Maio, soube que ao longo do dia circulara o boato de que a Polícia Federal prenderia o Lula aqui, na capital do seu estado de origem.

Uma garota universitária, colega do meu companheiro na federal rural, comentou, com a aquiescência das amigas que a acompanhavam, e sentenciou:

“Ôxe! Eles não são nem doidos de prender o Lula aqui; o povo vai pra cima e quebra tudo.”

Se atiçam os cães, terão o caos.

Lula passou pelo Nordeste feito um furacão. Fez comícios, concedeu entrevistas a duas emissoras de rádio, e gravou com candidatos à prefeituras e vereança em nada menos que sete cidades em dois dias: Barbalha, Icatu, Crato e Fortaleza, no Ceará; Natal, no Rio Grande do Norte; Recife e Ipojuca, em Pernambuco.

Só para se ter uma ideia, eram cerca oito da noite de quinta, quando Lula e comitiva deixaram a Praça da Independência rumo a Ipojuca, a 50 km do Recife.

Lá o esperava mais um comício, desta feita, de candidato do partido do ex-ministro da Indústria e Comércio, e ex-presidente da Confederação Nacional da Indústria, senador Armando Monteiro (PTB).

Nesta sexta, ainda estava no café da manhã quando eu e o maridão acompanhamos ao vivo a entrevista de Lula para o programa Geraldo Freire.

Falou 22 minutos sobre tudo que vem repetindo em cada entrevista e palanque, desde que o pegaram pra Cristo, e durante todo o processo que levou à derrubada de sua sucessora.

Depois, pegou o avião de volta para São Paulo, onde à noite teria mais comício. Na segunda, a parada é o Rio de Janeiro, onde participa de comício de Jandira Feghali, candidata do PCdoB à prefeitura carioca, em Caxias.

 

Energia e disposição de fazer inveja a qualquer mortal. E o homem está a, praticamente, um mês de completar 71 anos.

Os “meninos-procuradores” de Curitiba, e Moro, o justiceiro “querem fazer boca de urna” com espetáculos de arbítrio. Primeiro com Lula, denunciado sem provas, mas por “convicção”, e transformado em réu, mesmo com a “fragilidade da denúncia”.

Nas primeiras horas da sexta, o ex-ministro da Fazenda de Lula e Dilma, Guido Mantega. O perigoso marginal foi alcançado no centro cirúrgico do hospital onde sua mulher passava por cirurgia de câncer.

Prisão temporaríssima. Foi solto no meio da tarde.

A necessidade extrema não resistiu à manifesta indignação em cadeia nas redes sociais. A PF, que a tudo vê, e o juiz, que tudo concentra, inclusive as virtudes, “não sabiam da delicada situação”.

Descobre-se, entretanto, que a PF agiu sem mandato, revela o Conversa Afiada – menos talvez por ordens do chefe supremo Alexandre Moraes, o ministro da Justiça.

Ora, ora, ora… Na minha terra isso tem nome. Pense numa democracia!

Não obstante, Lula e a presidenta Dilma, obstinados, remam contra a maré. Empenham-se na campanha municipal. Pedem voto para seus candidatos, como pediriam se tivessem nas mãos o poder que as urnas lhes conferiram, cada qual ao seu tempo.

Pedem votos com o capital político de quem fez pelo País, sobretudo para os deserdados do seu povo, mais do que qualquer mandatário possa ter feito através dos séculos.

Pedem votos em contraponto ao golpe de Estado, travestido de impeachment sem crime de responsabilidade, que derrubou Dilma, uma mulher e presidenta honesta.

Em seu lugar botaram uma turba envolvida até o pescoço em todo tipo de irregularidades, inclusive, na Lava jato, e incluído o usurpador titular – que de fato não vai além do papel de mordomo do golpe.

Pôs-se em cacos a República e o Estado de direito. Tudo, supostamente, em nome da moralidade.

Na verdade, o que está em jogo é o projeto de País. O próprio usurpador, que responde pelo nome de Mr. Fora Temer, o confessa em conversa com empresários estadunidenses – aqueles que conseguiu reunir em sua malfadada passagem por Nova York.

O mordomo do golpe, ainda em curso e que pretende tornar-se permanente, disse mais ou menos o seguinte: não foram as pedaladas fiscais o motivo da articulação do impeachment de Dilma, e sim o fato de ela ter se recusado a tomar medidas neoliberais preconizadas no programa “A ponte para o futuro” do PMDB.

Em miúdos, corte nos gastos sociais, privatização ampla geral e irrestrita, redução de investimentos e que tais… Ponte diretamente para o abismo – da gente trabalhadora e do Brasil como Nação.

Perdõe-me, mas submete-l@-ei a desagradável experiência:

 

 

Votar em candidatos de partidos que ficaram do lado certo História, portanto, é mais do que o troco pelo surrupiamento da vontade popular. É reduzir a profundeza do abismo de direitos de cidadania e de soberania, com a rapinagem de conquistas, duramente alcançadas, e das riquezas do País.

Ao contrário do que possam desejar golpistas e seus asseclas e arautos de plantão, o apoio de Lula e Dilma tem sido requisitado, queiram ou não queiram os juízes.

Será por quê? Dois políticos de um partido em permanente degola – que requer, sim, um mergulho nas origens, para além da autocrítica na medida e hora certas -, e em vias de extinção segundo os arautos do apocalipse?

Requisitam-no candidaturas não apenas do PT, mas também do PCdoB – nos locais onde os dois partidos não são adversários, como Recife e Olinda, naturalmente – do PDT, PTB e outros – até mesmo de partidos majoritariamente golpistas, como o PP. Pois que a política local tem suas próprias cartilhas.

Neste 22 de setembro, o Recife somou-se à Paralisação Nacional  e  aos protestos convocados pelas centrais sindicais e pelos movimentos sociais em defesa dos direitos e contra o golpe – solenemente ignorados pela mídia golpista. Com os bancários em greve e várias categorias se unindo em manifestações ao longo do dia.

No final da tarde. veio a apoteose, promovida pela campanha de João Paulo, motivo da presença de Lula. Um revival de emoções de 2000, quando o PT conquistou a prefeitura pela primeira vez, e quando tudo parecia ser inatingível.

Mas ontem, o clima volveu a 1989. Em sintonia com a sensação externada pelo próprio Lula, na entrevista à Rádio Povo, de Fortaleza: “Uma energia e um carinho muito parecidos com a campanha de 89”.

 

Ora, o povo não é bobo, sabe o governo de quem fez diferença na vida deles.  E o povo humilde, que é a maioria absoluta deste País, e do Recife, e de Pernambuco, sempre vota segundo seus próprios interesses – para o bem ou para o mal. Questão de ponto de vista.

Assim é que, dia 21, por exemplo, enquanto Lula desembarcava no Ceará, para dentre outros apoiar Luiziane (PT) de volts à prefeitura, Dilma aportava no Rio de Janeiro para o comício que reuniu milhares em torno de Jandira.

A deputada comunista, líder da minoria na Câmara, teve postura impecável na defesa do mandato da presidenta. Na quinta, enquanto Lula estava no Recife, como João Paulo (PT), e depois em Ipojuca, Dilma estava com Alice Portugal, também, PCdoB, em Salvador, Bahia.

Em ritmo de forró, samba, frevo ou axé, a gente vai resistindo, e vai levando esta vida, e segurando o rojão.

 

Créditos fotos:

  • Alto e sequência Lula – Icatu, Fortaleza (Ceará), Natal-RN e Recife-PE: Ricardo Stuckert/Instituto Lula
  • Dilma e Jandira: campanha Jandira Prefeita
  • Lula e João Paulo: Beto Oliveira/Lumen

 

 

 


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