Quando a gente brasileira mostra seu valor…

por Sulamita Esteliam

Em meio ao festival de notícias ruins, há sempre uma fresta pela qual escapa, ou penetra, um pouco de ar fresco. Intercorrências que nos ajudam a sobreviver, apesar do desalento, da desfaçatez e da desesperança que teimam em enfiar o pé na porta.

Por exemplo: topo com a narrativa do meu amigo Eustáquio Trindade Neto, jornalista, professor e artista plástico, no Facebook, sobre acontecimento na tarde chuvosa da quarta-feira 14, em Beagá. Compartilho mais abaixo.

Curiosa contraposição ao que publica, nesta quinta, o blogue do jornalista Esmael Morais, que escreve de Curitiba, a capital da Lava Jato e sua Força Tarefa espetaculosa, seletiva e, na magistral definição do Fernando Brito, no Tijolaço, “peçonhenta”.

A informação dá conta de pesquisa internacional que coloca a gente nativa desta Terra Brazilis em sexto lugar no ranking mundial da ignorância; aqui traduzida como percepção da realidade.

Ora direis, decerto não surpreende.

Afinal, boa parte da população brasileira crê no que difundem a Globo, a Record, o SBT, a Band…

E, na classe dos que se acham, letrados, ainda há quem entenda como jornalismo o que publica a Óia!-Veja, aplauda as premiações da Quanto-IstoÉ … E se considerada bem-informado porque é assinante da Folha e do Estadão, imparciais até o primeiro apito dissonante…

Seremos mesmo, em parte, “comedores de alfafa”, como traduz Roberto Requião, senador pelo Paraná, a despeito de ser PMDB?

Quiçá não passemos, mesmo, de gente não-diferenciada de um país de contrastes em nostra América. Uma gente manietada pelo império plutocrata daqui e de alhures, tão bem representada pela sabujice e pelo descaramento da classe político-jurídica e da mídia venal?

Oh, meu Brasil!

CENA DE CINEMA (ou: FORA TEMER!)

por Eustáquio Trindade Neto – no Facebook em 14.12.2016

CENA UM – Agora, por volta das 15h. Temporal desabando na avenida Augusto de Lima, Barro Preto. Todo mundo correndo, se abrigando sob as marquises, onde o perigo dobrava (por causa das mulheres que insistem em ficar com as sombrinhas abertas, quase furando os olhos dos outros). Moça morena, pobre, mas bem vestida, do meu lado. Chego mais pra dentro, pra evitar que ela se molhasse. Simpática, ela agradece sorrindo.

CENA DOIS – Sai da loja um vendedor com cara de nerd e diz que ela não podia ficar em frente à marquise. Levo o maior susto, mas me recomponho na hora e digo a ele que ela pode sim e que eu era advogado e que o espaço da rua é público. Ele se assusta e volta pro interior da loja.

CENA TRÊS – Vem a gerente, apressada, com copo de água nas mãos, pedindo desculpas em nome do nerd e oferecendo a água. Aí, a moça se revela:


– Desculpas não tiram culpa, não dona. Manda ele enfiar as desculpas no cu e… Fora Temer! A água, eu vou aceitar, porque a senhora não tem culpa nenhuma.

CENA QUATRO – A plateia, tão ensopada quanto entusiasmada, bateu palmas e entoou o coro: Fora Temer!


2 comentários sobre “Quando a gente brasileira mostra seu valor…

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