Quem muito come se lambuza…h7

por Sulamita Esteliam

Seria o caso de rir. O mordomo usurpador que, junto com sua camarilha, tomou de assalto o governo da República, anuncia, em entrevista a um programa de TV, sua “disposição” em negociar cinco pontos da “reforma”, melhor, do desmonte da Previdência. Mas avisa, “menos idade mínima”.

Pois é justamente na idade mínima, 65 anos para homens e mulheres, que a proposta começa a desandar. Degringola de vez quando estabelece 49 anos de tempo de contribuição para a aposentadoria integral. E aí vem todo o resto, regras de transição, retirada de direitos de trabalhador rural e de pensionistas.

A proposta toda é um descalabro, um retorno a tempos medievais. Enterra qualquer possibilidade de o trabalhador usufruir do fruto do seu suor. E quem diz isso não é esta reles escriba, são pessoas habilitadas, estudiosas do assunto.

Pois o governo acha que pode abrir mão do que considera adereços, e ainda assim se dar bem.

Talvez se fie na capacidade de convencimento de sua propaganda enganosa, liberada esta semana por liminar de ninguém menos que a ministra Carmen Lúcia, que preside o STF, para afrouxar a pressão contrária.

O que ilustre ministra chama de “campanha institucional para esclarecer aspectos da proposta de reforma previdenciária em curso” pode ser resumido numa palavra: chantagem. Tipo, se não reformar, não há dinheiro para pagar quem já se aposentou.

Não obstante, leio no Estadão, a partir do Tijolaço, que a cada dia o governo perde terreno na Câmara. Já não pode garantir a aprovação do desmonte da Previdência. Aliás, não entendo por que o movimento sindical e os movimentos sociais insistem na palavra reforma, que implica melhorar – o que, absolutamente, não é o caso.

O jornalão paulista criou um placar, tão ao gosto da casa-grande que representa, para avaliar as possibilidades de o mordomo usurpador pagar a conta a quem manda. Sim, é jornalismo, a serviço de quem importa.

Significa que, se não há recursos para manter o padrão atual da aposentadoria pelo sistema público, há dinheiro de sobra para alimentar as burras da mídia venal e disseminar o terror. O seu, o meu, o nosso custoso dinheirinho usado contra a patuleia desavisada.

A despeito disso, o placar atualizado pelo Estadão – cuja imagem capturo no Tijolaço – indica aumento na rejeição da proposta, que nesta data é de 251 deputados contra 95 a favor.

Se contar que a oposição reúne apenas 101 parlamentares, que, no máximo, chega 121 – número dos que votaram contra o impeachment de Dilma -, fica fácil saber onde está o nó do desgoverno.

Como se trata de PEC – Proposta de Emenda Constitucional, só segue adiante com 2/3 dos votos a favor, ou 308 votos.

A leitura da reportagem, lincada acima, revela que o jornalão paulista se esmera em alertar seu aliado sobre quem no corpo de baile se recusa a dançar conforme a música, desafinada, e aonde e como maestro e coreógrafo devem buscar a harmonia. Senão, vejamos um exemplo:

“Dentro do PP, partido que tem o Ministério da Saúde, dez dos 47 parlamentares são contra a matéria. Jerônimo Goergen (RS), contra a matéria, diz que o governo precisa ser mais firme.

‘Toda hora [O GOVERNO]sinaliza uma coisa diferente. Isso mostra que o governo não sabe o que pode ou não ser mudado.’”

A base aliada deixa claro que não pretende botar o pescoço na guilhotina das urnas em favor do mordomo. Afinal, 2018 vem aí. Com que cara vão buscar votos junto ao eleitor que ajudou a degolar?

Não se descarte a possibilidade de estar em cena uma marcação que possibilita valorizar o apoio. Bem ao gosto de maioria parlamentar que aprovou, por exemplo, o congelamento dos investimentos sociais por 20 anos e, com menor adesão, a terceirização ampla, geral e irrestrita.

Mas, como diria minha avó, quem muito come se lambuza. Mais do que indigestão, pode ter caganeira.

Fato é que a “reforma”, na verdade o desmonte da Previdência, indisto, subiu no telhado, já tuitava no início da semana a deputada Erika Kokay, PT do Distrito Federal.

Mas não se iluda. Quem a coloca em risco é a massa trabalhadora, o Zé e a Maria Povinho, que  começa a sacudir a letargia em que parecia mergulhada, desde a concretização da fraude do impedimento da presidenta que legitimamente elegeu.

Só que é preciso mais, muito mais. E o 28 de abril, data marcada pelas centrais sindicais para nova paralisação nacional, pode ser decisivo na consolidação da derrota do inimigo dos direitos de quem, de fato, carrega este país no lombo.

Sim, às vezes é melhor rir do que se desfazer em lamentos. E fazer piada do próprio infortúnio é bem a cara do brasileiro. O humor é um bom antídoto contra a desfaçatez.

Confiantes nesse espírito, o portal Direito e Sindicalismo, a Universidade Sindical e o Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé se reúnem para criar o concurso de charge e cartuns sobre o desmonte dos direitos trabalhista e previdenciário.

Embora esteja longe de ser brincadeira, a ideia, de acordo com os organizadores, é contribuir para a resistência às “reformas excludentes”.

A inscrições podem ser feitas até 27 de abril no endereço, onde está disponível o regulamento. O prêmio é de R$ 3 mil reais para cada charge eleita por júri popular e pelo juri formado por jornalistas da mídia alternativa. Os segundos colocados levam R$ 2 mil cada.

Os internautas podem votar de 28 de abril a 04 de maio, período em que uma comissão julgadora avalia os trabalhos.O resultado será divulgado dia 05 de maio.

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Postagem revista e atualizada dia 07.04.2017, às 15:28 horas: correção de erros de digitação e de concordância em diferentes parágrafos.

 

 


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