No esporte, brasileiro ainda é profissão esperança

por Sulamita Esteliam
Meninas de ouro, arretadas! – Foto capturada no Cultura Mix.com

Acompanhei pouco as Olímpiadas de Londres. Sequer me sinto abalizada a avaliar o desempenho do Brasil nos jogos, mas vou dar pitaco mesmo assim. Afinal, daqui a quatro anos somos sede dos jogos, e será impossível não tratar do assunto. Independentemente da expectativa de resultados dos nossos atletas olímpicos.

Primeiro, os números: 17 medalhas no total, o melhor resultado numérico em 21 participações em Olimpíadas – desde 1920, na Antuérpia, quando faturou três medalhas, uma em cada categoria, e ficou em 15º lugar – aqui. Em 2012, são três ouros, dois a menos que em Atenas, 2004 – 25ª colocação; cinco pratas, nove bronzes e a 22ª colocação no quadro de medalhas, seis posições abaixo da conquista em Pequim, 2008.

Foi duro, convenhamos, ver nossos rapazes do vôlei perderem a medalha de ouro, que tanto mereciam, para a Rússia. Foi a medida inversa da alegria de assistir nossas meninas do vôlei subirem ao ponto mais alto do podium, dois dias antes. Foi, igualmente, lindo trazer nosso primeiro ouro individual na ginástica artística, com Zanetti, uma semana após faturarmos a primeira douradinha no judô feminino, com a menina Sarah – aqui no blogue. E vieram a prata e os bronzes no boxe, e o bronze inédito no Pentatlo Moderno, com a menina pernambucana Yame (e não Yara, como postado originalmente, desculpem-me), dentre outras medalhas. No esporte, o brasileiro ainda é profissão esperança.

Foi triste não levarmos o ouro no box nos pesos médios, a meu ver, por uma duvidosa punição do juiz na final, que claramente favoreceu o japonês adversário de Esquiva. O futebol repetiu o que dele se esperava – a prata foi de bom tamanho, na medida da altura do salto, no caso masculino, e do ataranto, no caso feminino.

Entretanto, há quem o considere o resultado final medíocre.

Na verdade, há duas coisas a se considerar: é de causar engulhos o tratamento da mídia nativa, especializada ou não, com as quebras de atletas verde-amarelos. Alguns, como Diego Hipólito, da ginástica artística, foram ridicularizados, ele que já nos deu tantas alegrias. O complexo de vira-latas campeia e alimenta o massacre, a partir das exarcerbação das expectativas para posterior maximização dos fracassos. Deixo a vocês a interpretação sobre o que os move.

Na minha ignorância esportiva, creio – salvo algumas exceções, como o vôlei masculino, e a prata de Esquiva no boxe 75 Kg -, levamos o que empenhamos. E valeu, o resto é se…

É perceptível, não obstante, que falta planejamento e foco adequado às políticas públicas, porque recursos há, e têm sido investidos no esporte. Não precisa ser especialista para deduzir que é preciso mirar a formação na base, na escola, na criação e direcionamento de ciclos populares para a prática de diferentes modalidades olímpicas. Cuba, China e Estados Unidos, cada um a seu modo, fazem isso.

Não falta dinheiro: foram R$ 1 bilhão desembolsados pelo governo federal em 2011, afora a parcela do dinheiro das loterias que vai para o COB, segundo o Acerto de Contas. Falta planejamento, insisto. E sobra cartolagem e politicagem.

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Revista e atualizada às 20:39

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