Considerações sobre o Brasil que recomeça…

por Sulamita Esteliam

Recomecemos por onde terminamos: Feliz Ano Novo!

Sigamos pela estrada, com um olho no horizonte e outro no retrovisor.

A pauta é a mesma, mas a gente pode mudar o ritmo. Não tem porque nos igualarmos a quem só sabe desconstruir.

A faixa presidencial recolocada, eis o detalhe que incomoda - Foto: Lula Marques/Fotos Públicas
A faixa presidencial recolocada, eis o detalhe que incomoda – Foto: Lula Marques/Fotos Públicas

 

Há maestros em excesso, tentando reger a mesma orquestra, porém. Os acordes soam dissonantes – à direita, mas também à esquerda.

Então, harmonizar é preciso. Deixar de lado as picuinhas. O Brasil, e a felicidade de sua gente, é tudo o que importa.

As certezas costumam ser burras. A confiança, ao contrário, atrai bons fluidos, ajuda na direção. Nós merecemos.

É preciso cobrar, sim, mas acreditar na palavra e nos propósitos da presidenta, que a vontade popular elegeu (no feminino, sim, conforme a Academia Brasileira de Letras, desde 1889), e somar.

Um olho no gato, outro no peixe, mas não, não vale tudo. Dá trabalho, mas é o preço da cidadania.

“De pé, e com fé”, a gente consegue.

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Troçaram, publicamente, do jeito Dilma de andar.

Ora, ora, falam de uma senhora que acaba de completar 67 anos, mãe e avó. Uma mulher que foi pendurada no pau-de-arara, levou socos, choques elétricos e tudo mais… Uma mulher forjada na luta contra o terror de Estado, que ousam invocar.

Ademais, as rampas do Congresso e do Planalto não são passarela.

Fato é que, desde tenra idade, não é o espelho nem beicinhos as armas das quais se vale Dilma Roussef. Nada contra a elegância e a leveza. Mas, tutano, sabe-se, é a substância que sustenta a mente atenta e a coluna ereta.

De qualquer forma, se Dilma fosse Gisele, iriam taxá-la “canela de siriema”… Quiçá, fariam com que dividisse com Simone o epíteto, cruel, de inspiração confessadamente paterna: “comprida e mal acabada”…

Por conta de adereços pouco afeitos às meninas de sua geração, e de outras tantas, Dilma Roussef chegou aonde chegou. Gisele, também, é verdade. Apesar das pedras no caminho.

Só que é Dilma a primeira presidenta da República Federativa do Brasil. Reeleita.

Tentaram, querem e vão continuar tentando moê-la. Mas ela se mantém de pé. E, seu discurso de posse indica, com fé e, Deus queira, sustentação popular.

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Pode-se questionar certas escolhas para sua equipe neste segundo mandato. Assim como este blogue, mesmo, o fez, antes da confirmação; e as mantém, assim como a crítica à anti-política de comunicação do governo.

Todavia, convenhamos, quem tem de governar é Dilma e as circunstâncias de sua eleição e governo. “Nenhum direito a menos, nenhum passo atrás”, ela garante. Sob a nossa estrita vigilância e nosso amplo suporte, no que couber.

A presidenta sabe, precisa avançar ou não se sustentará.

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Sim, desfizeram do traje de posse de Dilma Vana Roussef.

É apenas mais do mesmo, com o invólucro da falta de classe que habita a mídia venal, afeita aos maus modos da casa-grande.

Glória Kalil, entretanto, o considerou adequado, simples e leve.

O problema, um tuiteiro lá de Beagá localizou. O problema está no detalhe: a faixa presidencial, autoaplicada. E tudo o que isso significa.

O problema é que não há terceiro turno. Eis a verdade, nua e crua.

Sinto muito.

Assessório da vontade popular não cabe em qualquer um, ou zinha…

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De qualquer forma, o novo lema do segundo governo Dilma “Brasil, Pátria Educadora” vem bem a calhar para a necessidade civilizadora, e civilizatória, que o país atravessa.

O ano que se foi, e o diapasão que se mantém no ano que começamos, não nos deixa mentir.

Há quem não goste do termo “Pátria”, em alusão ao (mau) uso, de triste memória in terra brazilis. Contudo, o pensamento do professor Antonio Candido, externado em 2002 no sítio da campanha Lula Presidente, traduz o que a presidenta se refere.

Valho-me do resgate de Carta Maior, em editorial de Saulo Leblon, para fechar a primeira postagem do ano:

“Temos  uma crise de civilização (…) Talvez seja um mal que deriva de um bem.
 
O esforço para tornar os níveis de ensino acessíveis a todos força diminuir o nível. Então, você fica num dilema perverso: elitizo ou democratizo e abdico de qualidade?  A saída está numa sociedade igualitária, onde todos tenham acesso à cultura e à educação de qualidade. Foi o que eu vi em Cuba. Instrução pública e gratuita em todos os níveis. E de muito boa qualidade.

A chave é a transformação da sociedade, na qual as pessoas se apresentam para a educação em pé de igualdade.

(…)”

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Postagem revista e atualizada dia 06.01.2015, às 20:36, hora do Recife: correções gramaticais na segunda parte do texto principal, primeiro e terceiro parágrafos. Com minhas desculpas pelo deslize.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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