PM mineira se ‘aquartela’, e o Zé Povinho que se lasque

por Sulamita Esteliam

pmmg-em-passeata_o-tempoDepois do fim de semana no paraíso do Cipó, a pessoa é obrigada a acordar para a realidade. E aí descobre que a Polícia Militar de Minas está “aquartelada”.

Mobilizam-se contra o que chamam de “saco de maldades” imposto pelo desgoverno federal no PL 257, que trata da renegociação da dívida dos estados para com a União, que implica redução de gastos e, portanto, freio nas promoções.

Sobra então para o governador Pimentel, alvo de chantagem explícita. Tipo ou dá o que revindicam, ou desce do poder.

Todo mundo sabe que a quebradeira é geral. E vai ficar pior com o a carroça da economia desembestada rumo ao abismo.

Depois do Rio, Porto Alegre hoje virou barbárie, com repressão das Brigadas do Sartori sobre os servidores em protesto contra o pacote de cortes.

greve-pm-1997_nisi-ingrid-otempoAgora é Belo Horizonte que ameaça pegar fogo – vide 1997; como bem lembra o colega jornalista e professor, Marcelo Freitas, no Facebook, logo cedo, ao postar foto de Isa Nigri, no mesmo jornal.

O governador da época era o Eduardo Azeredo, criador do mensalão tucano. A diferença é que à época, havia oposição entre soldados e comando. Hoje o espírito de corpo faz a força.

Praças e oficiais em motim. Afinal, o governador do Estado é seu comandante supremo, ou deveria.

Não, não são trabalhadores normais no legítimo direito de reivindicar e defender suas conquistas. São homens armados, remunerados com o dinheiro do contribuinte, e que deveriam cuidar da segurança pública.

Ao invés disso, botam terror. E o Zé Povinho que se lasque.

Circulam áudios ameaçadores pelas redes sociais. Recebi alguns.

“Galera, a PM está em greve. Melhor evitar sair às ruas, ficar em casa quietinha. Belo Horizonte vai virar um caos de hoje para amanhã…”

Passei pela Praça da Assembleia no encerramento da caminhada de protestos cujos gritos em ordem unida já pudera ouvir da casa que me hospeda no Barro Preto. Tinha até bandeira com a foto do Bolsonaro para presidente, como mostra a foto do jornal O Tempo.

Parei para tentar entender do que se tratava, e o que escutei me deixou de orelha em pé.

Mais tarde, recebi áudios de parte dos discursos pelo zap-zap. Mostram, claramente, que eles se consideram apenas servidores públicos, mas senhores com direito a tratamento diferenciado. Transcrevo:

“A partir de hoje, aquartelamento até o governo federal acenar com a retirada dos policiais militares deste saco de maldades. Evidentemente que são dois cenários, o federal e o estadual.  Enfim, o recado está dado. Hoje nós demonstramos a nossa força – ativos, inativos, policiais da reserva, alto comando, deputados, todos unidos neste propósito. A hora é agora.

“Hoje é do recruta ao coronel. Os coronéis que estão aqui estão cientes do que estamos falando. A Polícia Militar é uma instituição bicentenária(…), e nós não vamos aceitar que governador nenhum venha atacar a PM.”

Faz-me lembrar o ex-ministro Sepúlveda Pertence, ex-procurador-Geral da República. Quando da Constituinte Mineira, ele esteve na Assembleia Legislativa para uma palestra, finda a qual conversou com jornalistas, Euzinha dentre eles e elas.

O assunto era participação política e exercício da cidadania, e ele definiu: “No Brasil, participação política é essencialmente corporativista”.

O universo se resume ao umbigo. Que o diga o Ministério Público, cujo gigantismo e protagonismo desandaria no viés político antevisto por Sepúlveda: “Criamos um monstro”.

De volta à saia justa do governador Pimentel, curiosamente no portal do governo do Estado, nem uma palavra sobre o protesto-desafio e sobre a greve. Limita-se a informar sobre a reunião do governador e secretários, no fim da tarde desta segunda-feira, “com integrantes da PM, para tratar do Projeto de Lei Complementar (PLC) 257 em tramitação no Congresso Nacional”.

A posição do governo foi transmitida à imprensa pelo secretário de Estado de Governo, Odair Cunha, para quem “a reunião foi positiva. As contrapartidas colocadas no projeto são desproporcionais”, disse.

Mais ensaboado – ou seria acuado? – impossível.

Enquanto isso, no Recife, a Força Nacional, requerida ao governo federal pelo governador socialista Paulo Câmara ante a greve que não houve da Polícia Militar, fica nas ruas da capital pernambucana até 03 de janeiro.

O “convênio”, que começou dia 09 deste mês deveria se encerrar nesta segunda, mas o governador pediu extensão do prazo.

No sítio do coletivo Marco Zero, relatos preocupantes de exorbitância das atribuições. Como, por exemplo, a intimidação de estudantes secundaristas que ocupam a Escola Municipal Nilo Pereira, em Casa Amarela.

Estão brincando com fogo.

 

 

 


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