Carmem Lúcia e o Brasil do Judiciário que pretende ser levado a sério…

Sessão solene de reabertura dos trabalhos do STF. Todos os poderes constituídos – Foto: Jane Araújo/Ag}encia Senado/Fotos Públicas-
por Sulamita Esteliam

Estou a ponto de pegar o caminho do aeroporto, para seguir viagem para minha Macondo de origem. É aniversário dos meus netos gêmeos, Arthur e Nicolas, que completam 1 ano no próximo dia 03, com a proteção dos Anjos e todas as bençãos celestiais. Aproveito para experimentar o Carnaval daqueles sítios.

O tempo voa.

Então, rapidamente, compartilho a última postagem do Tijolaço, da quinta-feira, 1º de fevereiro, por que dialoga com o que escrevi na abertura da minha última postagem, quarta-feira, 31 de janeiro.

Leia e veja se não tenho razão: não dá para levar a sério o que diz a mulher que preside a Suprema Corte do Brasil.

Aliás, está difícil levar a sério o País, que opta por atravessar o rubicão da sensatez e da democracia, para voltar a ser terra da exceção; e  para tornar-se piada pronta – internacionalmente, tão ao gosto do complexo nosso de vira-latas para sempre.

Hoje foi a abertura dos trabalhos do STF e está lá Carmem Lúcia, muito à vontade posando ao lado três golpistas que vêm a ser os presidentes dos demais poderes constituídos. Tão à vontade que se aproveita da ocasião para exigir respeito ao Judiciário.

Ora, pois que o Judiciário se dê ao respeito, se não quer ser criticado. Por acaso seria ele um poder absoluto, acima do bem e do mal?

A gente sabe que não é. Nunca foi, e nesses tempos de arbítrio, que essencialmente propiciou que se instalasse, muito menos.

Estou em cima da hora, paro por aqui.

Transcrevo a postagem referida, pena certeira do colega Fernando Brito – que, aliás, estudou Direito:

Quem desacata a ideia de Justiça é o Judiciário

por Fernando Brito – no Tijolaço

Como na frase famosa dos comentaristas de futebol, não existe mais time bobo na política.

Não existe, senão como desculpa, essa história de que figuras do Judiciário estariam aconselhando Lula a adotar uma política mais branda e a não questionarem o Judiciário, depois que o Judiciário, numa atitude  belicista, condenou, agravando a pena, o ex-presidente.

Quem quer acordo não enfia a espada no adversário.

A corporação está decidida a usar a força e a autoridade contra o ex-presidente e ele só tem como arma a legitimidade de sua representação do sentimento popular.

Não adianta Lula apresentar-se como “moderado” e “bonzinho”, por mais que o seja e que seus governos o tenham mostrado. Inclusive indicando seus atuais algozes para os cargos que ocupam na Justiça.

Salvo os piores e os melhores caráteres – e os primeiros são mais abundantes no gênero humano que os segundos – assim que nomeados, juízes das cortes supremas  passam a ser regidos pela mídia e pela corporação judicial, não pelos que os indicaram.

Não me perderei em exemplos, tantos que são.

Mas isso não os faz burros, ainda que os faça, no mais das vezes, cínicos.

Os ministros do Supremo sabe que Marcelo Bretas,. com seu auxílio-duplex,  fez mais danos à imagem do judiciário que as centenas de manifestações de Cristiano Zanin, advogado de Lula, questionando o comportamento da Justiça.

É a lógica do moralismo que se impõe acima de tudo,  até que seja ela própria desmoralizada.

Quando olham o Datafolha e veem o deus da mídia, Sérgio Moro, provocar mais rejeição que apoio a uma indicação de candidato, sabem que se enfraqueceram. Idem quando olham o nada  eleitoral a que se reduziu o seu ex-deus Joaquim Barbosa.

O problema do projeto de poder supremo do Judiciário que está em curso no Brasil é muito claro e simples: é um projeto sem chefe, cuja liderança pública acaba por ser encarnada por figuras menores, sem autoridade institucional, embora sejam autoridades corporativas, que intimidam, pelo poder que lhes dá a mídia, a dissenção e a crítica interna corporis.

Sim, porque não pensem que os juízes brasileiros são todos energúmenos, microcéfalos de queixo arrogante como os Moro e os Bretas que passaram a simbolizá-los. Mas estão imobilizados por uma ditadura corporativa que  tornará  “traidores” ou “simpatizantes da corrupção” todos os que levantarem a voz contra abusos e “marquetismos” perpetrados com a toga.

Estas pobres almas olham para cima e vêem um vazio. Enxergam a fraqueza jurídica de Carmem Lúcia e Rosa Weber, a insuficiência de maus-bofes de Dias Tóffoli, a tibieza, embora digna, de Ricardo Lewandowski, o histrionismo cafajeste de Luís Fux, o conservadorismo anacrônico de Celso de Mello, o isolacionismo de Marco Aurélio Mello, a “cabeça de PM”de Alexandre de Morais e, para fechar o quadro, o comportamento fuinha de Luiz Edson Fachin, transmutado do garantismo para o autoritarismo num passe de mídia.

É por isso que, sem liderança moral, a categoria se entrega ao papel de produzir uma carta de natureza sindical onde 17 mil juízes e promotores se tornam cúmplices de uma visão que enxerga a Justiça como um lugar de privilégios, não de equilíbrio e de um acatamento público que, naquela perdida ponderação serena, encontrava a sua razão de ser.

Nem a ditadura fez acontecer na magistratura um alinhamento tão amplo e uniforme  a seus ditames.

Viraram,os juízes, uma caricatura, infelizmente, que é o pior papel que já tiveram em toda a sua história como instituição.

E nada melhor para representá-los que uma presidente do STF que, após um alegre convescote com dirigentes de multinacionais, mia rugidos contra os que contestam a Justiça  que tem a estes como amigo e ao que tem a simpatia do povo como inimigo.

D. Cármem, não há quem desacate mais a Justiça que o Judiciário,

*******

Postagem revista e atualizada dia 05.02.2018, às 19:24h, horário de verão: correção de erros de digitação em diferentes parágrafos.

 


Um comentário sobre “Carmem Lúcia e o Brasil do Judiciário que pretende ser levado a sério…

  1. O Judiciário brasileiro não merece mais o respeito da sociedade, eis que perdeu a pouca credibilidade da qual ainda desfrutava junto à opinião pública; e o responsável por esse estado de decadência moral e ética em que se acha mergulhado o poder judiciário brasileiro é justamente o STF, que há muito tempo deixou de ser guardião da Constituição Federal para se tornar um subserviente das elites nacionais e do capital financeiro.

    Que respeito pode se ter por um supremo tribunal de justiça que obedece às pautas da mídia para julgar ou deixar de julgar matérias relevantes que impactam a vida de todos nós ??!!

    Até quando se verá a Globo mandando, e o stf obedecendo ??!!

    Como respeitar uma Corte Suprema que, diante dos abusos e arbitrariedades praticados por juízes rebeldes que julgam e condenam ao arrepio da lei, queda-se inerte por conveniência política e conivência??!!

    Não existe, em nenhum outro lugar do mundo, uma Corte de Justiça tão achincalhada, apequenada, desmoralizada e covarde quanto o supremo tribunal federal brasileiro.

    Em nenhuma outra nação da Terra, a Justiça atua de joelhos diante de uma emissora de televisão !!

    Só aqui no Brasil !!! Até quando ??

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