Lula manda a primeira carta do cárcere: ‘Estou tranquilo, mas indignado” com a injustiça

Foto: Ricardo Stuckert
por Sulamita Esteliam

Pela primeira vez em nove dias de encarceramento, o ex-presidente Lula se comunica com o povo acampado no entorno da sede da Polícia Federal em Curitiba. E o fez através de uma carta, ele que tem recebido às centenas, de todos os cantos do país.

Lula agradece a solidariedade e a presença. Diz que está “tranquilo, mas indignado como todo inocente” diante da injustiça.

Emocionada, a senadora Gleisi Hoffmann, presidenta do PT, leu a carta, entregue pelos advogados de Lula, no início da noite, durante ato no Acampamento Lula Livre. Sob o júbilo dos presentes:

“Eu ouvi o que vocês cantaram. Estou muito agradecido pela resistência e presença de vocês neste ato de solidariedade. Tenho certeza que não está longe o dia em que a Justiça valerá a pena. Na hora em que ficar definido que quem cometeu crime seja punido. E que quem não cometeu seja absolvido. Continuo desafiando a Polícia Federal da Lava Jato, o Ministério Público da Lava Jato, o Moro e a segunda instância a provarem o crime que alegam que eu cometi. Continuo acreditando na Justiça e por isso estou tranquilo, mas indignado como todo inocente fica indignado quando é injustiçado.

Grande abraço e muito obrigado.

Luiz Inácio Lula da Silva”

Lula recebe nesta terça, 17 a visita de parlamentares da Comissão de Direitos Humanos do Congresso Nacional, com autorização da juíza da Vara de Execuções Penais. Gleisi Hoffmann vai integrar a comitiva.

É bom não esquecer que o 17 de abril é aniversário de 2 anos do golpe. A data está marcada na história recente do País como o Dia da Vergonha: o dia em que a presidenta Dilma Rousseff, a legítima, teve o processo fraudulento de impeachment aceito pela Câmara dos Deputados, num verdadeiro espetáculo de horrores.

A prisão de Lula é o aprofundamento do golpe, a desnudar o Estado de Exceção e o aprofundamento do fosso entre a casa-grande e a senzala.

O 17 de abril é, também, o Dia da Barbárie. Há 22 anos, 19 sem-terras foram executados pela PM em Eldorado dos Carajás, no Pará. São mais de duas décadas de impunidade.

As duas memórias, indignas são os combustíveis a mover a jornada nacional de lutas por reforma agrária, tradição do MST.


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