Com a boca na botija – de Curitiba a Tamandaré

por Sulamita Esteliam

Nada como o clamor público para fazer as instituições se moverem. Ótimo quando atende aos princípios da legalidade e do Estado Democrático de Direito. A semana começa encurtando narizes de pinóquios tupiniquins – aqui, ali e acolá.

Não, não vou falar, apenas, sobre a Lava Jato de triste histórico. Os operadores da Força Tarefa estão na mira da Procuradoria Geral da República, depois de manipular a opinião pública para praticar ilegalidades – com o auxílio luxuoso da mídia nativa, TV Globo especialmente.

A operação atravessou o rubicão, e agora choraminga quando é pega com as calças na mão.

Essa história de investigar os chefes do Congresso Nacional, outro poder, sem autorização da Corte Suprema, foi uma pisada na bola típica de quem se acha fora do alcance dos mortais comuns.

Camuflaram, só que alguém esperto detectou e deu chabu, como mostra o Tijolaço na imagem acima.

Tem muito mais podre a exalar desta fossa legal aberta em Curitiba, é só mexer mais fundo. Reportagem da Agência Pública, em parceria com o The Intercept Brasil, detalha as relações pouco republicanas da Força Tarefa com o FBI, por exemplo. Aliás, justiça seja feita, já denunciadas por série especial produzida pelo Jornal GGN, do Luis Nassif.

Mas o que Euzinha ia dizendo se relaciona também ao território pernambucano. Duas notícias que abalam as hostes superiores do estado e as bases socialistas que há alguns anos dirige a política por aqui. Isso num ano eleitoral, é de péssimo agouro.

É que a Polícia Civil oficializou nesta quarta-feira, 1 de julho, o indiciamento de Sari Corte Real por abandono de incapaz, o que levou às morte o menino Miguel, filho de Mirtes Helena, uma de suas empregadas, no início do mês passado.

Miguel Otávio procurava pela mãe, que havia saído para passear com o cachorro da madame. Caiu do nono andar do prédio onde morava a patroa de Mirtes, e morreu.

A acusação subiu de patamar: inicialmente enquadrada por homicídio culposo, sem intenção de matar, o indiciamento se deu por homicídio preterdoloso. Em miúdos, o crime praticado é mais grave do que pretendia o criminoso.

Quando deixou um menino de 5 anos sozinho num elevador, mesmo que não tivesse apertado o botão da cobertura, como o fez, e deixado a porta se fechar, a patroa assumiu o risco de algo de ruim acontecer com a criança.

O delegado Ramon Teixeira, que ao lavrar o flagrante havia amaciado para a primeira de Tamandaré, foi vencido pelos fatos corroborados pela perícia e pelos depoimentos. E pelo clamor popular.

Se o Ministério Público oferecer a denúncia e a Justiça Criminal confirmar o pronunciamento, Sari Corte Real vai a júri popular e pode, se condenada, pegar de quatro a 12 anos de prisão.

Outra consequência do ato da primeira dama, foi expor os malfeitos do marido na Prefeitura de Tamandaré. Sérgio Hacker Corte Real pode ter o mandato cassado por improbidade administra.

A Promotoria ajuizou ação civil pública por ele usar dinheiro público para pagar as três empregadas domésticas de suas residências particulares, no Recife e na cidade que administra. Uma delas é a mãe do menino Miguel Otávio, a outra, a avó.

Sobrou, também, para a secretária de Educação do município. A avó do menino estava lotada na Secretaria, mantida com os minguados recursos do Fundeb – Fundo de Educação Básica.

A ação também pede o bloqueio dos recursos do prefeito Sérgio Hacker.

É o tal negócio, quando a roda gira é difícil parar…

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Leia a íntegra:

 


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