O sopro da energia foliã-militante, com direito a presidente autodeclarado e apoiado em massa

por Sulamita Esteliam

Estou, como já escrevi aqui, em rota de fuga, decorrente de um estado de esgotamento quase que absoluto. Exaustão é a palavra. O que me salva é o sopro vital da energia foliã em estado latente e permanente e o humor nosso de cada dia, apesar de.

É o Grande Circo Brasil em plena função momesca.

Assim, meio que hiberno em plena vigência do verão, este ano um pouco mais quente do que costuma ser – a sensação térmica, pelo menos. Tento não me estressar com noticiário e com as picuinhas cotidianas da vida doméstica. Ligar o foda-se é parte do processo de autopreservação.

Explico: enquanto descanso, me reabasteço para  me garantir no Carnaval, por que ninguém é de ferro. Simples assim.

E começo já na quinta-pré, pois é o dia em que a troça Nem com uma Flor vai às ruas em nome do combate à violência contra a mulher. Concentração às 15:00 horas, na Praça do Arsenal, no Antigo.

Sim, Carnaval-militante tem muito mais sabor e proveito.  Clique para baixar os materiais Lula Livre na folia;

E por falar em militância e brincadeira, bem no espírito carnavalesco, o adorável Zé de Abreu, ator e ativista político, usou o Twitter no início da semana para se autoproclamar presidente do Brasil. Com direito a pronunciamento, nomeação de ministério, com a presença de Lula na Cultura, e tudo mais.

Se Gaidó (Juan, líder da oposição venezuelana) pode, por que eu não?

Da Grécia, onde se encontra em viagem de trabalho, Zé de Abreu promete retornar ao Brasil no dia 08 de março, em grande festa.

Nem é preciso dizer que suas estripulias verbais e performáticas bombaram no Twitter e outras redes.

Agrego PS: Até Lula, do cárcere político na Polícia Federal de Curitiba se manifestou em apoio, em bilhete – a forma que usa para se comunicar da prisão, além dos recados através dos visitantes. Leonardo Avitzer, editor do Brasil 247, foi o destinatário.

A revista Carta Capital publica matéria deliciosa a respeito. Transcrevo, sem mais delongas:

José de Abreu se declara presidente e avalia Bolsonaro: “Analfabeto”

Inspirado pela autodeclaração do venezuelano Juan Guaidó, o ator brinca de líder e diz que vai soltar Lula

O Brasil tem um novo presidente. José de Abreu passa a usar todo seu legado político, e artístico, a serviço da nação a partir de hoje. A autoproclamação do ator é, obviamente, um misto de piada e protesto, como qualquer cidadão com o mínimo de lucidez, nestes tempos irracionais, pode perceber. Nosso Juan Guaidó às avessas, desalinhado com Trump e desarticulado com Jair Bolsonaro, bombou nas redes sociais e até escolheu seu ministério – encabeçado por Lula.

“Acabei de me proclamar presidente do Brasil. Quem me apoia?”, disse Abreu, iniciando a avalanche da turma da brincadeira acima de tudo. Em questões de minutos, seu nome já aparecia nos assuntos mais falados do Twitter, com apoio massivo de internautas.Ver imagem no Twitter

“Vamos exigir respeito à minha autodeclarada Presidência como estão dando para o venezuelano. Por que ele tem e eu não?”, disse o ator, citando Guaidó (o real), sua inspiração máxima na tentativa de assumir a cadeira e o par de chinelos utilizados por Jair Bolsonaro.

Em entrevista a CartaCapital, o presidente interino diz que sua primeira ação será libertar o ex-presidente Lula, preso há quase um ano pela Lava Jato. “O Moro aceitar o cargo de ministro comprovou que tiraram o Lula da disputa. Não há legitimidade quando um candidato é preso sem provas. O Lula poderia salvar a economia do país com sua sensibilidade política”, afirmou o presidente.

Abreu está na Grécia, mas já se prepara para chegar no Brasil no dia 8 de março, data escolhida para a sua “posse”. E quer colocar os pés no País sambando na cara dos opositores. As atrações escolhidas (ainda que elas não saibam) para recebê-lo no aeroporto do Galeão, no Rio, são Chico Buarque, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Gilberto Gil e outros nomes de sua geração. “Será uma grande festa”, garante o presidente. Uma espécie de reedição do Festival da Canção de 1968, digamos.

Com o slogan “Nossa bandeira jamais será laranja”, vossa excelência já escolheu os nomes para integrar seus ministérios: Eduardo Suplicy para Ministério do Bem e tudo o que envolve os menos favorecidos. A pasta de Educação fica com Fernando Haddad. Minas e Energia para Dilma. E, para deleite do clube dos antipetistas, o autodeclarado entrega a pasta da Cultura para o ex-presidente Lula – pois é “o brasileiro com mais títulos de doutor na História”. Finalizando o primeiro escalão, Jean Wyllys (Ministério da Segurança Pública e Respeito ao Cidadão) e Guilherme Boulos (Habitação).

Confira abaixo entrevista com o ator/presidente:

CartaCapital: Qual será sua primeira ação como presidente?
José de Abreu: Encontrar uma solução para se fazer justiça com o Lula. O fato de o ex-juiz Sérgio Moro aceitar o Ministério da Justiça como pagamento por ter tirado o Lula da disputa  é inaceitável. Comprovou que tiraram o Lula da disputa. Não há legitimidade quando um candidato é preso sem provas. O Lula poderia salvar a economia do país com sua sensibilidade política.

CC: Como será o seu posicionamento com a Venezuela?
JA: Será com apreço, como será com os EUA, respeitando a vontade do povo. Não se pode invadir um país. Vou tratá-los como qualquer outro país, não interferindo em sua política interna.

CC: O que o senhor acha do Juan Guaidó, um presidente autodeclarado, ganhar tanta força?
JA: É completamente insólito. É a primeira vez na história que isso acontece. Talvez tenha sido combinado com o Trump, para ter um reconhecimento institucional, uma maneira indireta de tirar a legitimidade do Maduro. Parece que a coisa não funcionou, saiu pela culatra.

CC: E sobre a ajuda humanitária enviada pelos países?
JA: Isso foi uma provocação. Se é uma ajuda humanitária, deveria ser feito pela Cruz Vermelha e com autorização da ONU, sem a presença de países. Não é qualquer país que pode fazer isso. Não é uma ajuda humanitária e parece que não deu certo.

CC: O senhor acha que existe algum interesse por trás dessa ajuda?
JA: É óbvio, o país que mais tem petróleo no mundo. E quantas guerras os EUA já fizeram por causa de petróleo? É muito mais barato comprar políticos brasileiros e venezuelanos em vez de promover outra guerra no Oriente Médio. É longe e fica caro. É tudo interesse econômico. Eu não sou fã de Maduro, mas o bloqueio que fizeram contra a Venezuela ajudou nessa situação que se encontra o país.

CC: O senhor fará a Reforma da Previdência?
JA: Primeiro precisamos ver se existe déficit mesmo e discutir sobre o tema. Se o déficit for real, eu faria sem penalizar o povo brasileiro, utilizando os royalties do petróleo e fazendo a lei das grandes fortunas, como é na França.  O governo precisa taxar os mais ricos. Empresários brasileiros não pagam imposto de pessoa física, isso é uma loucura. Existem milhares de coisas que se pode fazer para consertar esse déficit e não jogar a conta para os mais pobres.

CC: Qual seu recado como presidente autoproclamado para Jair Bolsonaro.
JA: Não tenho recado nenhum para esse cara. Não o reconheço como presidente. Ele é uma farsa, isso não existe. Presidente tinha que ser o Lula. Até porque ele não entende o que a gente fala. O cara é um analfabeto, não tenho recado nenhum.

CC: E qual sua primeira declaração ao povo brasileiro?
JA: O objetivo da política é o bem comum e a felicidade do seu povo. É para isso que todo presidente deveria lutar. Eu acho que mais importante que o PIB é o nível de felicidade. E eu vou lutar pela proteção das minorias, negros, LGBTs, mulheres e todos terão seus direitos garantidos.

 

 


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