por Sulamita Esteliam
Então… ando à cata de boas notícias, porque estou farta de tanto desmantelo, truculência, barbaridades, abusos de toda sorte.
Parece, mesmo, que o Ser Supremo cansou de ser brasileiro, destampou a tampa do esgoto universal e despejou o conteúdo bem sobre as nossas cabeças tupiniquins.
Nem ouso perguntar que mal fizemos nós. Nada mais, nada menos que permitir a derrubada de uma presidenta eleita, compromissada com um país de oportunidades, honesta e valente, a ponto de não se dobrar a chantagens de políticos ou milicos. Caiu porque não cedeu.
Não bastasse, deixamos que se enredasse metade da população com a trapaça de um juiz carniceiro, um promotor pirotécnico e um time de metidos a espertos – na mídia nativa, no sistema de justiça, num legislativo tacanho. Assim mesmo, com minúsculas.
Tudo em nome de uma vira-latice com verniz de esnobe correção, a bem de um plutocracia sem pedigree, mas sempre de chicote em punho.
Botaram o melhor presidente que o país já teve no tronco, e elegeram um títere psicopata, mamulengo de milicos em fim de carreira, brochas e sequiosos de poder. Predadores, todos. Jacarés do papo amarelo com a boca escancarada para nos devorar .
Nós que sempre acreditamos ser bem bonzinhos, a ponto de crermos num futuro imaginário, onde todos seríamos felizes para sempre. Nos esquecemos de combinar com a casa-grande.
Como é possível tamanha ingenuidade num país que nasceu de estupradores das mulheres nativas e do genocídio de seus povos originários? Somos herdeiros de uma nação que se ergueu sobre a prática de 388 anos de escravidão oficial de negros traficados.
Estamos desgovernados por genocidas insaciáveis, ou essa é a nossa sina? Se não morrer de covid, morre de fome ou de bala de fuzil e metralhadora, ou de abandono, de tristeza, ou de raiva e desespero.
O jogo é de terra arrasada e retomada totalitária, alerta o colega Luís Nassif: é o projeto de nação dessa raça.
Nós escolhemos: podemos recusar.
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* Republico charge do querido Cau Gomez, obrigada.
Mais sobre o assunto aqui no blogue: O Inimigo do povo veste farda
Boa análise, Sula. Temos que recusar essa barbárie.