Quem vai tirar, e quando, o tubo do general!?

por Sulamita Esteliam

Em tempos de revival de coturnos e abusos de toda sorte, dias desses perguntei no Twitter, a propósito da prisão de miliciano-deputado, quando a Suprema Corte vai também tirar os tubos do general cara-dura-de-pijama.

Quem tem menos de 45 anos não pode lembrar-se do personagem vivido por Jô Soares no humorístico “Viva o Gordo”, produzido e veiculado pela Globo de 1981 a 1987. O general linha- dura, que desperta do coma de anos, e quando lhe atualizam sobre o Brasil democrático, inconformado ordena: “me tire o tubo!”

O assunto “militares” em conluio com a toga na sina brasileira volta à ordem do dia, e como chaga é tratado em artigos, editoriais e análises de notáveis de vários calibres, sobretudo na mídia alternativa ou não-golpista.

Alguns ecoam o apelo desta escriba, e perguntam, claramente, “quem vai prender os generais golpistas?” , como Roberto Amaral e Manoel Domingos Neto em Carta Capital – linco ao pé da postagem.

Refiro-me, simbolicamente, ao general da hora, àquele que já chefiou o Exército Brasileiro, Eduardo Villas Bôas. Bravo lobo que também sabe posar de cordeiro. Pois foi nessa condição que se apresentou ao Congresso em 2017, bradando em defesa da Constituição e da soberania nacional.

Foi aplaudido e louvado por, aparentemente, cumprir a lei. Até o senador Roberto Requião (MDB-PR), político de boa cepa, caiu na lábia do general Villas-Boas – aqui. Deu-se em julho de 2017.

Em setembro, o cordeiro já mostrava os dentes sem fazer alarde, posando de morto diante dos arroubos autoritários do subordinado que viria a ser o vice do futuro.

O A Tal Mineira anotou a mudança aparente de postura, questionando: “Tem gato na tuba, será!?” na postagem MÚLTIPLA ESCOLHA: O FANTASMA QUE NOS ASSOMBRA VESTE FARDA, TOGA OU COLARINHO BRANCO…

Pois não é que tinha! Não um gato, mas uma tigrada de bote armado, que uma ano depois já rosnava e intimidava quem senão Corte Suprema para fazer valer seus intentos: apropriar-se do Estado brasileiro e restabelecer para si e para a famiglia das armas a mamata que apregoaram moralizar.

O general que comandou o Exército também comandou o golpe, sorrateiramente, e já o fazia quando esteve no Senado – o juizeco e a camarilha de Curitiba só deram o suporte. Nem a doença que o consome foi capaz de abrandar a sede de benesses. De cadeira de rodas e respirador, botou o STF contra a parede, funcionou.

Quem vai pagar por isso, e quando?

Hoje se locupleta do que julga ser seu e dos seus por direito de farda, enquanto a toga se arma de coragem para acusar o que a covardia lhe tornou cúmplice. 

Antes tarde, dir-se-á… Haverá tempo para salvar o que sobrou, ao menos da vergonha?

Tomaram a máquina do Estado de carona no “trem da alegria” que elevou o capitão, posto na reserva por mau comportamento, a principal mandatário da res-pública.

Conforme o sociólogo mestre Paulinho Saturnino Figueiredo,  na entrevista publicada aqui, em janeiro de 2019, alguns dias após a posse do previsível desgoverno: OS MONSTRINHOS, OS MONSTROS DE FARDA E O RESGATE DA ENTREVISTA PREMONITÓRIA AO A TAL MINEIRA

Os militares acumulam ranços e privilégios, que não se resumem a uísque 12 anos, quilos de picanha e litros de leite condensado, bancados pelo dinheiro público – o seu, o meu, o nosso suado dinheirinho. De sua Maria e o Zé Povinho não sabe se pode contar com os caraminguás do auxílio emergencial enquanto durar a pandemia.

Foram poupados na reforma da Previdência, enquanto você e a maioria de quem rala pelo salário, se lascou. Você perdeu o emprego, mas eles estão por toda parte no desgoverno que ajudaram a instalar, e não apenas nas Forças Armadas e no Gabinete Militar – aonde deviam limitar-se, e já se questiona com que utilidade.

Vestem farda os ministros da Casa Civil, do Ministério da Saúde, Defesa, Minas e Energia, Ciência e Tecnologia, Segurança Institucional, Secretaria de Governo, da Infraestrutura, CGU – Controladoria Geral da União, os presidentes da Itaipu Binacional, da Eletrobrás, e agora também na Petrobrás.

Já dominam o Meio Ambiente, onde são presença numerosa e ilegal, além ineficaz, a ponto de despertar do sono eterno do TCU – Tribunal de Contas da União.

Absolutamente não estão aptos a ocupar tais funções, e o desastre sanitário, ambiental e de gestão pública não deixa esconder o tamanho desmantelo.

Quanto ao general, dá-se ao desfrute de, com tubo, com tudo, chacoalhar seu despotismo sobre a nação brasileira, novamente de arrasto sobre o pântano em que ele se orgulha de ter-nos atolado. Confessa o atentado contra a Constituição de 1988, e contra a nação brasileira, com denodo e escárnio.

Memórias de golpismo fértil. Jacta-se de ter articulado o golpe de Estado que, mantendo a presidenta Dilma impichada, Lula preso e os tribunais intimidados, ou cúmplices, nos brindou com o capiroto na Presidência.

Quem tiver estômago que leia. Ajude-o a palmilhar com os direitos autorais do livro que pode render-lhe bom dinheiro, e alimentar a fogueira na qual certamente vai arder, et caterva, nos quintos dos infernos.

Tarda, mas não há de falhar.

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Fontes recorridas

Reconta Aí

Privilégios militares no País do auxílio emergencial

CNN Brasil

Ministérios do governo Bolsonaro

Carta Capital

Militares sabotaram as eleições de 2018 em benefício próprio

Diálogos da Lava Jato e conspiração de Villas Bôas indicam o poder das corporações

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